Começo este artigo com a frase mais cliché no que toca a este tema: “Nós somos o que comemos.”

Isto, não porque não tenha mais nada para dizer, mas sim porque é a frase que melhor descreve a alimentação e a sua importância.

Muitas vezes, falo para as pessoas e ajo como se isto fosse básico e normal, como se toda a gente tivesse esta consciência. Mas constatei que não é verdade. Dei por mim a sentir-me a “falar chinês” para montes de pessoas, e a ver as minhas palavras entrar por um ouvido e a sair pelo outro. Vejo todos os dias, com os meus próprios olhos, gente a alimentar-se pelo simples facto de ter fome ou vontade de comer por vício, e não com o intuito de nutrir o organismo. Vejo dietas descuidadas numa constante e em muita gente. Ler um rótulo ou uma embalagem (não falo de contar calorias como um maníaco mas sim dos ingredientes e nutrientes) para se perceber o que se está, de verdade, a consumir e de onde vêm realmente os alimentos que colocamos dentro de nós, é um hábito e interesse que não estão presentes como deviam. Assim como fazer do alimento inteiro, integral, local ou biológico uma prioridade. A alimentação é a tua verdadeira medicina, no seu estado mais puro. Isto quando mantida com cuidado, com interesse e com amor. Amor por nós próprios, pois tendo em atenção ao que entra no teu corpo, estarás não só a enchê-lo de vida, como naturalmente a preveni-lo de doenças, patologias e condições menos agradáveis no futuro.

Quem me conhece, sabe que eu defendo uma alimentação de base vegetal. Principalmente porque sei que é um dos maiores passos que posso dar para o bem deste planeta, e isso é bem maior do que eu como indivíduo, e bem maior do que a minha gula. A meu ver, tudo à minha volta é igual ou maior do que eu, e não me sinto no direito de devastar ou contribuir para a destruição e maldade. Vai para além de mim, para além de nós, para além de cultura ou religião.

Num pequeno aparte, globalmente, não é sustentável todo o mundo ser vegan. Uma alimentação sustentável tem em conta não só o impacto ambiental, mas também a segurança alimentar e acessibilidade dos alimentos. Em certos locais do mundo, onde existem crianças a passar fome e desnutridas, e onde existe escassez e falta de condições para uma alimentação inteiramente vegetal, não faz sentido para essas pessoas, esse tipo de dieta. Esclarecida esta parte, o resto do mundo, inclusivamente nós, que temos praticamente TUDO ao nosso alcance, que somos evoluídos o suficiente para ir ao espaço, para transformar o planeta em nosso benefício, para criar tecnologia de ponta para tudo e mais alguma coisa, acho que conseguimos ser evoluídos o suficiente (principalmente as novas gerações) para o ser também na maneira como nos alimentamos e no nosso modo de vida. Primeiro, porque já temos informação mais do que suficiente para entender que maior parte da riqueza nutricional está nas plantas, segundo porque já não somos animais primitivos, nem fazemos parte da cadeia alimentar, e o argumento de que “sempre comemos assim para sobreviver” já não cola. Os tempos mudaram, e não somos, de todo, os mesmos que há muitos anos atrás. Somos e podemos ser cada vez mais conscientes e inteligentes.

Eu adopto uma alimentação inteiramente vegetal e um estilo de vida sem maldade, porque me educo cada vez mais, de modo a fazer mudanças que não envolvam sofrimento animal. Principalmente porque o meu coração chora com tudo o que acontece. Nem imaginas a dor que sinto. Eu alimento-me e vivo assim, pelo ambiente, pelo planeta, pelo futuro, pelo amor e empatia que nos une e pela minha SAÚDE. Só saber que a comida que ingiro, o combustível e nutrição que deixo entrar no meu corpo, não vem com maldade nem sofrimento…Aí já começa a minha medicina. A continuação é tentar fazer com que seja pura, inteira, verdadeira e abundante por si só…

É o nosso dever, e também direito, fazer o melhor que podemos nesta jornada que é a nossa vida. Claro que, para isso, deverá ser desenvolvida uma disposição e uma vontade para tal. Numa sociedade como a nossa, pode não ser fácil. Nem toda a gente cresce com essa sensibilidade devido à educação a às crenças que lhes são incutidas. Mas a boa notícia é que o ser humano tem uma excelente capacidade de adaptação e de mudança, não fossemos nós descendentes de macacos e tivéssemos sofrido mutações até aos dias de hoje, de modo a sobrevivermos e vivermos cada vez melhor.

Se ainda não confias no que te digo

Terminei há pouco tempo de ler um livro que só veio confirmar aquilo em que eu já sabia, bem como ensinar-me ainda mais!

Como Não Morrer, de Dr. Michael Greger e Gene Stone, é a verdadeira bíblia de sabedoria no que toca aos alimentos que ingerimos (ou devíamos ingerir) e traz até nós os factos, as fontes e as lições que necessitamos absorver para aplicarmos, e sermos a nossa melhor versão. É um livro extenso (752 páginas para ser exacta!) mas, como sempre te digo, toma o teu tempo e sente-te livre para o devorares ao teu ritmo, e prometo-te que não perderás nada. Muito pelo contrário! Não duvidarás mais das coisas que ouves no que toca a alimentação vegetal, e ganharás a confiança que te falta para seres tu mesmo, com o teu próprio conhecimento adquirido, bem como uma consciência mais íntegra e segura sobre aquilo que deixas entrar no teu templo… Aquele do qual tanto exiges, todos os dias. Pergunta-te, com humildade, se lhe devolves a força e energia vitais e o verdadeiro combustível da melhor forma diariamente, e responde com honestidade. Podias fazer melhor? Aqui vamos nós então!

Mãos à obra!

Se és alguém que sente e admite que podia fazer melhor, alguém que tem vontade em sentir-se melhor, alguém que quer aprender, ou simplesmente alguém que não sabe por onde começar para ser mais saudável, eis os meus conselhos (pois foi exactamente isto que eu também fiz e ainda faço):

  1. Inicia a tua própria pesquisa! Nada melhor do que ires procurando inspiração, de acordo com os teus próprios gostos ou dificuldades. Se não tens Instagram, aconselho-te a criar. Hoje em dia são inúmeros os perfis que por lá existem, que te vão fazer chegar informação rápida, bem como receitas de babar! O Facebook também pode ser usado com essa intenção, seja seguindo páginas (que geralmente são as que existem no Instagram, apesar de, por vezes, não tão completas) e aderires a grupos pesquisando com palavras como “vegan”, “vegetariano”, “receitas vegetais”, etc… Algumas das minhas dicas de perfis de receitas e de conteúdo interessante são Made By Choices, a Dicas Da Oksi, a Arialchemy, a AnitaHealthy, a Joana Limão, Simplesmente Vegan, a Gabriela Oliveira, a Inês Pais, a Ela Vegan, entre outras…(ficaria aqui o dia inteiro a escrever-te todas as minhas referências!). No Youtube também existem diversos canais super interessantes, como por exemplo a Pick Up Limes, a FullyRawKristina ou a Ellen Fisher, entre muitos outros;
  2. Consulta um nutricionista! Não há nada melhor e mais seguro para nos ensinar, e para percebermos o que estamos a fazer do que alguém como a querida Sandra d’O Vegetariano. A Sandra é uma nutricionista vegetariana muito reconhecida, com o devido mérito, cujo trabalho eu aprecio imenso. Para além dela tens ainda a Ana Isabel Monteiro, conhecida por Laranja-lima, que também realiza consultas e disponibiliza muito conteúdo acessível, inteiro e de confiança;
  3. Sem medo, aventura-te na cozinha! Sei que alguns se sentirão com falta de jeito ou de confiança, mas o truque é mesmo ir experimentando malta! Não duvides que certas experiências dêem cagada porque vão dar 😅, mas faz parte da aprendizagem;
  4. Aventura-te a inscreveres-te em workshops ou cursos que sintas que te façam sentido. Esse dinheiro nunca é mal gasto pois irás aplicar em casa, e a partir dessas experiências, poderás adaptar aos teus gostos, e tudo dar-te-á inspiração para criares e ires além;
  5. Lê! Muito! Mesmo que não gostes de ler, lê aos pouquinhos de cada vez. Há tanta informação de qualidade nos livros que não encontras com tanta credibilidade na internet (excepto neste blog, claro!😜);
  6. Não costumo aconselhar, mas se és daqueles bem difíceis de convencer, assiste a documentários, se te sentires preparado para tal. Com excepção de alguns, há documentários bem gráficos e chocantes que eu própria não consigo assistir ao ver certas imagens. No entanto, para algumas pessoas fará, com certeza, sentido aperceberem-se da triste realidade associada ao que comem e só assim entenderão o porquê de certas mudanças e de tanto activismo a decorrer pelo mundo fora. Eis alguns exemplos começando pelo menos agressivo: The Game Changers, Vegan: Everyday Stories, Land Of Hope And Glory, Forks Over Knives, Earthlings, Dominion, Cowspiracy e por fim o icónico What The Health;
  7. Pede ajuda. Tal como em tudo na vida, não nascemos ensinados e nunca é vergonha ou embaraço ou fraqueza pedir ajuda. Se conheces alguém com uma filosofia de vida semelhante áquela que desejas alcançar, pede auxílio. Não te será negado, com toda a certeza. Apesar da comunidade rotulada de vegan poder, por vezes, parecer agressiva, não temos de ser todos iguais e devemos saber distinguir os extremistas e radicais que se tornam mal-educados, dos que o fazem apenas pelo bem de todos e compreendem e lhes basta ver que as pessoas dão o seu melhor nem que seja com pequenos passos. Ainda há muita gente que não atinge que não somos,nem nunca vamos ser, perfeitos.

Espero ter-te elucidado e esclarecido de alguma forma. Este é apenas o primeiro de muitos artigos sobre o tema, pois é uma das minhas grandes paixões!

Obrigada por leres e aprenderes!

Até breve

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