Em 1960/1970 uma enchente de pessoas criaram o movimento que ainda hoje deves conhecer como Hippie. Este movimento surgiu inicialmente como um protesto mas rapidamente se tornou um estilo e filosofia de vida. Pretendia que se acabasse com a guerra que na altura se travava, a guerra do Vietname, e se abandonasse o sistema como ele era na América. Os hippies vieram questionar a forma como a vida se dizia ter de ser vivida. Recusavam-se a aceitar que a única forma viável de se viver seria a da geração dos seus pais, traduzida pelo consumismo desenfreado, a transformação dos homens em robôs feitos para trabalhar, produzir e morrer. Mais ainda, recusavam-se a aceitar o racismo, a pobreza e a fome…

Moratorium Day, October 15, 1969 – Washington D.C. (AP Photo)
With the U.S. Capitol in the background, demonstrators march along Pennsylvania Avenue in an anti-Vietnam War protest in Washington, on Moratorium Day, November 15, 1969. (AP Photo)
Fonte desconhecida

Em 1968, Jerry Rubin chamou à atenção para o facto de se preocuparem demasiado com a aparência, e muito pouco com problemas de facto graves… Referiu que a América parecia focar-se mais em ter o cabelo limpo e arranjado, os sovacos depilados e a cheirar bem, um hálito perfeito a toda a hora e na maneira de vestir e parecer, do que em solucionar e resolver assuntos de impacto realmente relevante. Fez questão de explicar que os hippies eram “uma geração de jovens que chegaram para mostrar que não querem saber dos conceitos de limpeza, beleza e padrões para os quais os formataram”.

Jerry Rubin.
Fonte: THE ENQUIRER/MARK TREITEL

Razão pela qual a música foi tão importante na era Hippie foi porque certas bandas e grupos, como os Beatles, Grateful Dead, Rolling Stones e Bob Dylan, vieram trazer uma sensação de mudança e solidariedade, e isso uniu esta geração. Procuravam todas as razões e mais alguma para celebrarem a vida, e aproveitavam os protestos, os concertos, os festivais ou meros encontros para o fazer. O festival mais conhecido foi o Woodstock. Foram três dias de concertos que se realizaram num espaço rural de Nova Iorque e que reuniu cerca de 400 a 500 mil pessoas. Foi um marco na era Hippie.

Foto aérea de Woodstock. Fonte desconhecida

Os membros do movimento Hippie consideravam que a sociedade estava dominada pelo materialismo e repressão, e escolheram desenvolver um estilo de vida próprio, que foi considerado muito rebelde e peculiar na época. Começaram por fazer de tudo para provocar intencionalmente o regime e puxar os limites que eles acreditavam não fazer sentido, e que consideravam ser apenas uma prisão.

Caracterizavam-se no geral pelos cabelos longos e despreocupados, crescimento natural dos pêlos, roupa fluida e com cores vibrantes… Mas o que fez deste movimento um movimento especial foram hábitos que mostravam liberdade e amor. Por exemplo, o acto de andarem de pés descalços; viverem em comunidade uns com os outros; amarem e respeitarem quem lhes rodeava (espalhando uma mensagem e onda de não-violência), incluindo a natureza (estiveram envolvidos no desenvolvimento do movimento ambiental. O primeiro “Dia da Terra” foi realizado em 1970), e os animais, adoptando assim uma alimentação vegetariana e sem alimentos processados; abraçarem a ideia de abertura e tolerância, contrariando assim tudo o que até ali lhes fora imposto…

Circa 1970. Michael Ochs Archives

Deixavam crescer os cabelos e pêlos para mostrar que não se importavam com o que pensavam deles, ouviam música e dançavam como lhes bem apetecesse, espalhavam o amor sem pudor e testavam todos os limites que pudessem. Viravam costas a todas as restrições que a América tinha definidas, tais como o conceito de comportamento adequado para a sociedade e a aparência que era rotulada de bonita e respeitadora…

Com tudo isto, e com a necessidade de libertação, o consumo de substâncias como a marijuana aconteceram. Principalmente com o objectivo de acabar com as inibições, permitindo as pessoas ser como realmente são, e deixando tudo fluir naturalmente. Veio implementar uma separação entre eles e as gerações anteriores, com as quais não se identificavam. Estes jovens começaram a valorizar e a apreciar gestos, atitudes, beleza e actividades que outrora ninguém prestava atenção ou que repudiavam. Foi despertado o sentido nas coisas mais pequenas e naturais. Questões como “quem sou eu?”, “de que sou feito?”, “o que significa ter sucesso?”, “qual o verdadeiro valor do dinheiro?” ou “porquê” e “para quê?” surgiam na mente destes jovens que nunca tinham testemunhado isso acontecer antes. Questionava-se o casamento, o trabalho, a religião, o aspeto exterior, as tradições, a conduta, as decisões…

Do outro lado, as gerações anteriores não entendiam e questionavam o porquê deste rebelião, uma vez que achavam que estes jovens tinham tudo, e perguntavam-se contra o quê que batalhavam… Os hippies respondiam simplesmente “nada disto está bem. Nada disto faz sentido. Se fores feliz, então serás bem-sucedido. O que importa nesta vida é seres feliz.”

Quando eram abordados e entrevistados, e lhes inquiram sobre o achavam que o mundo precisava, que de momento não tinha, eles diziam “AMOR”.

Fonte: Ralph Ackerman

Onde quero chegar com toda esta História

Não é surpresa para ninguém o que vou dizer: vivemos numa época totalmente contrária à da era Hippie, que foi demasiado fugaz, com o avanço intenso da tecnologia.

Somos regidos pelo ódio e pergunto-me como chegamos aqui, uma vez que somos seres com sentimentos e poder de decisão. Seria de esperar que o presente fosse positivo e o caminho fosse em frente, mas só vemos tudo cada vez mais negro e triste, e parece que estamos a andar para trás. É de facto assustador apercebermo-nos que estamos a destapar coisas cada vez mais podres, mas às vezes penso que, já que estamos a destapar há tanto tempo, havemos de estar a chegar ao fundo para depois podermos começar de novo.

Como é que chegamos a um ponto em que, na verdade, podemos controlar tão pouco das nossas vidas? Porquê que somos um conjunto de seres preso num sistema pútrido, fraco e negativo que funciona para nos levar a um mau fim? Porque não somos como as abelhas? Porque não viver numa colmeia trabalhando para vivermos bem e com efeito positivo em nós e no que nos rodeia? Em vez disso, estamos a destruir os habitats e a matar as abelhas… Inteligente não é?

Se me perguntarem sobre o quê que o mundo precisa, eu respondo:

“De uma nova era Hippie!”

Não, não estou a incitar que nos metamos na droga e vivamos num mundo de fantasia…mas sim que comecemos a ser e a espalhar mais amor. Porquê? Porque ainda faz sentido. Fará sentido enquanto existirmos.

Para te fazer entender que o que digo não são apenas palavras bonitas, falo por mim, honestamente. Nem sempre estive atenta a isto, e nem sempre vivi com amor e com o desejo de ser melhor pessoa, apesar de ser sensível. Mais depressa desenvolvi defesas para me proteger, e parti para o ataque para magoar quem me magoava a mim. Sempre fui muito reactiva, e sempre tentei controlar as pessoas, os acontecimentos e o que fazia, pois era a minha forma de andar para a frente e não sentir tudo com tanta profundidade. Mais do que isso, achava que era o meu papel pôr as pessoas no lugar delas e fazer barulho quando achava que algo não estava bem, com o objectivo de impor o meu ponto de vista. Não digo que ainda hoje não faça, porque faço. Não vou mentir. Mas faço menos porque já não me passa tão ao lado como antes. Agora pesa-me. E quando não sou, nem me comporto com o amor que tenho cá dentro, sinto o efeito que tem em mim e nos outros e desejo ser melhor. Desejo amar e ser a minha melhor versão, pois percebi que assim é que consigo mudar o mundo e tornar as coisas bonitas à minha volta. Antes, nada resultava nisto. Na verdade era tudo pior… Nem que fosse a minha visão sobre as coisas e sobre as pessoas. Mudando isso já mudo muito. Perdoar, aceitar, agradecer… São, de facto, as melhores ferramentas para espalhar positividade. Não falo apenas de perdoar, aceitar e agradecer os outros, mas principalmente perdoar-me, aceitar-me e ser grata a mim mesma. Quando existe amor cá dentro, ele transborda e propaga-se para fora, e não no sentido contrário. Querer pôr amor de fora cá dentro à força toda não tem efeito em nada. Apenas camufla.

E como podemos espalhar o amor? Primeiro, eduquemo-nos. Aprender e desenvolver abertura para saber ouvir e compreender os “porquê”, os “para quê”, os “onde”, os “como”, permitir-nos-á ver além. Daí nascerá a empatia e a compaixão. E com elas a bondade…e na bondade reside amor. E o amor…é tudo! Depois de te educares, tem de partir de ti… Quando o amor vem de dentro, a vontade de o espalhar por todo o lado é imensa! A partir daí o resto é fácil. Surge naturalmente!

Fonte: Geoff McFetridge

Mas se ainda não te sentes com jeito, podes sempre considerar estes gestos simples e aleatórios de amor

  • Reserva um tempo para ti. Para fazeres aquilo que mais gostas, por muito disparatado que possa parecer. Sentires-te bem é o primeiro passo e a base para seres bom para quem te rodeia;
  • Tenta estar atento e analisar que hábitos negativos estão presentes no teu dia-a-dia, e elimina-os aos poucos. Antes de implementares novas e melhores práticas, tens criar espaço para elas;
  • Auxilia quem mais precisa. Seja dar uma refeição a alguém sem abrigo, a carregar as compras de alguém que esteja atrapalhado ou falar com quem está sozinho e não tem com quem conversar;
  • Usa o teu amor com as palavras. Não penses duas vezes em dizer ou escrever algo bom a alguém, por mínimo que seja o que tens a dizer. Não tenhas vergonha ou medo de ser julgado. Se falares com amor, nunca é errado. Se fores mal interpretado, não será por tua causa mas apenas pela pessoa em questão não estar habituada… Não é todos os dias que recebemos mensagens carinhosas. E quem sabe, talvez mudes o dia ou até o ano dessa pessoa;
  • Apoia negócios locais. Ainda para mais nesta altura em que vivemos, para quem gere negócios pequenos, é muito prazeroso e gratificante sentir apoio;
  • Elogia. Seja o cabelo de alguém, os olhos, os gestos ou até a roupa. Se estiveres atento, por onde passas verás tanta beleza. Acredita que o teu elogio não será mal recebido. No máximo, quem o recebe fica sem jeito, mas isso é bom;
  • Ajuda a tua família. Pergunta em que podes ser útil, quando tiveres um tempinho;
  • Se ainda não fizeres uma alimentação 100% vegetal, experimenta escolher uma refeição, ou um dia ou mais de refeições, para comeres vegetal. Dessa forma, mesmo que não seja sempre, estarás a poupar uma vida ou a tortura de um ser que sente como tu. Ao pensares nisto com consciência, congratula-te, pois estás a ser amor;
  • Poupa o ambiente evitando itens descartáveis. Podes questionar-te em quê que isto terá a ver com bondade e amor, mas tem tudo a ver! Cuidares do ambiente é cuidares de ti e seres bom para tudo o que te rodeia;
  • Assim que for possível, depois desta pandemia passar, pratica o abraço. Para algumas pessoas pode até ser desconfortável e parecer estranho, mas isso tem uma explicação. Por vezes, temos aversão ao toque e ao amor porque dentro de nós cremos não ser merecedores de tal, ou porque temos medo do julgamento do outro se o fizermos…Mas também esse julgamento é sinónimo disso. Tenta aos poucos destruir as barreiras e resistência que te impedem de amar e ser amado na totalidade. Vivemos de amor. Demonstrá-lo ou recebê-lo é vital e é muito bom, assim que o permites;
  • Faz uma doação. Seja de dinheiro, ou artigos que por muito aos que estejas apegado, já não servem nenhum propósito na tua vida. Se pensares bem, tens muita coisa a mais na tua vida que outras pessoas têm a menos;
  • Apanha lixo que vejas espalhado. Sei que o lixo não é teu nem foi deixado por ti, mas o planeta é teu e precisa de ti. Não sejas crítico ou defensivo. Faz o melhor que puderes e conseguires. O teu papel é muito importante. Se por acaso mais alguém te vir a fazê-lo, pode ser que inspires essa pessoa a fazer o mesmo;
  • Não julgues os outros. Por muito más que sejam as atitudes, palavras ou pensamentos das pessoas, não sabes o que as poderá levar a agir assim. Não conheces nem sabes a vida os outros na íntegra como pensas. Há muito mais além do que vês ou escolhes ver. E tu sabes bem disso, quando és tu que o sentes na pele…

Já te dei algumas ferramentas e opções, mas acredito que com o tempo e com empenho da tua parte, as ideias surgir-te-ão naturalmente. Quando chegares lá, vais ver que é delicioso. Vais ter razões mais do que suficientes para sorrir. Verás que, apesar deste mundo estar podre, existem tantas coisas boas, e com isto estarás já a transformar tudo à tua volta, e a dar início a uma nova era do amor!

Fonte desconhecida

Obrigada por leres e seres luz ao abrir a tua mente e o teu coração! É por tua causa que ainda há esperança!

Até breve

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