Há algum tempo, a Joana Limão (chef privada, food stylist, consultora gastronómica e autora do site Please Consider) disse:

“Segundo a OMS, a saúde é um bem-estar físico, mental e social, mais do que mera ausência de doença. Não se trata apenas de não estarmos doentes, mas de estarmos realmente bem. De estarmos a florescer, de estarmos prósperos, de termos uma saúde abundante. Ou seja, não se trata só de eu não ter uma dor de barriga, mas trata-se sim, de todo o meu estilo de vida, estar “montado” de forma a suportar a minha saúde intestinal, ou a minha saúde digestiva, ou a minha saúde mental.

Normalmente, apenas pensamos na saúde como o mero facto de não estamos doentes, de não nos sentirmos mal, de não estarmos indispostos… Mas não é só isso. Não é só não estar doente, é estar realmente bem. É todo um conjunto de medidas ou de hábitos que tornam a nossa vida mais agradável. Uma vida que dá vontade de viver.”

Sempre me considerei uma pessoa saudável e sempre “preguei” esse estilo de vida aos outros, principalmente no que toca à alimentação. Devo gratidão aos meus pais por esse tipo de educação e hábito.

Desde ao que comia, à prática de yoga e terapias holísticas, até à cura e tratamento através de plantas como emplastros e compressas, tinturas e chás…

Contudo, mesmo com a familiarização e conhecimento que fui adquirindo, não me considero uma pessoa saudável neste momento.

Ainda hoje tento recuperar de uma depressão (que por si só já tem sintomas que cheguem e sobrem!), de ataques de ansiedade e pânico, de dores crónicas nas articulações, de sinusite, de enxaquecas… Coisa pouca para quem tem 26 anos portanto! Pois bem, a idade não quer dizer absolutamente nada no que toca à saúde.

Mas então, porquê e como é que cheguei a este ponto de me sentir uma merda, tendo (pensava eu) uma filosofia de vida tão natural? Caro leitor, claro que é um pilar gigante, mas de nada vale uma alimentação e nutrição adequados se a cabeça não é nutrida também.

Antes de vos contar o presente, terei de começar pelo passado

A primeira vez que me lembro de estar doente foi por volta dos 12 ou 13 anos. Andava no ballet (e desde pequena que lidava com muita carga horária, disciplina e rigor, a somar à escola normal, e ao facto de viver longe e ter de acordar super cedo para apanhar o autocarro que demorava 1h15 a chegar à escola) e tive um problema alimentar. Era magríssima e assim queria continuar. Era excelente aluna. Não comia adequadamente, ora porque não tinha fome, ou não tinha vontade. Escondi a comida que os meus pais me punham no saco durante anos, sem eles descobrirem. Seguiram-se crises crónicas de amigdalites com muitas dores, febres altíssimas e consequentemente alucinações (das quais me lembro demasiado bem).

Foi por volta dessa idade também que me apareceu a menarca (primeira menstruação da mulher) que, com todos estes factores, se traduziu em dismenorreia (dores incapacitantes) e amenorreia (ausência de menstruação durante longos períodos de tempo).

Comecei por frequentar a primeira psicóloga por decisão dos meus pais, assim que descobriram a comida toda que escondia nas gavetas e nos sacos. Andava bastante doente. Seguiu-se depois, uma pedopsiquiatra que resultou em toma de medicação.

Por volta dos 14 anos fui operada à garganta para remoção das amígdalas e passado um tempo a minha saúde começou a estabilizar. A minha relação com a comida melhorou e o meu corpo foi recuperando.

Desde então, e até hoje, mantive uma alimentação cuidada e de base vegetal, mas as idas à terapia prolongaram-se. Recorri a vários psicólogos em diversas fases da minha vida.

Actualmente

Faz em Outubro 3 anos que iniciei a minha profissão de assistente de bordo. Estão a pensar “emprego de sonho” não? Bem, não me posso queixar, de todo! Tanta coisa boa me trouxe esta profissão até hoje, mas também algumas coisas menos boas, como em todos os empregos, com certeza.

Eu só posso falar da minha experiência e, decerto, muitos dos meus colegas podem não se relacionar mas somos todos diferentes e está tudo bem! A verdade é que sou, e sempre fui, uma pessoa sensível, logo tenho maior tendência a sentir as coisas mais profundamente. Não sou menos do que ninguém por isso.

Conheci pessoas incríveis, lugares maravilhosos e culturas que me ensinaram a ver o mundo com outros olhos, e pude vestir as cores e servir o meu país através de uma companhia aérea de bandeira, à qual serei eternamente grata. Tantas peripécias para contar e histórias de vida de tantos passageiros diferentes e faladores que guardo no coração… Tanto que aprendi com os meus colegas e superiores!

No entanto, muita solidão senti (que já partia duma má relação comigo mesma), muitas refeições aldrabei, muitas noites que mal dormi, muitos horários trocados sofri e alguns momentos que perdi com os meus por não estar presente. A fadiga começou a ser demasiada e constante… Para além disto, o facto de na área da aviação o impacto ambiental ser tão elevado e eu ter tido oportunidade de viver isso em primeira mão a vários níveis, foi-me criando também um peso e culpa cada vez maiores, e foi acumulando uma carga negativa ao que fazia. Muita coisa ia contra os meus princípios e valores. Apesar disso, tentava diariamente encontrar novos pontos positivos que trouxessem valor a tudo em meu redor e tentava compensar, de outras maneiras, as coisas menos boas da minha vida profissional que não podia controlar. Em qualquer emprego, há prós e contras e tu tentas dar o teu melhor e lembrar-te também, que ele não te define por inteiro.

Tudo o que referi acima, junto, vai, digo-te com toda a certeza, afectar-te mais tarde ou mais cedo, se os teus hábitos se mantiverem e não te cuidares em condições. Tudo isto tem consequências. Tanto para o bem-estar físico como para o bem-estar mental. Mais tarde verás que não consegues dar mais nada aos outros por não teres cuidado de ti devidamente. O teu corpo e mente são como uma máquina. Se a forças activamente sem parar e não fazes a manutenção como deve ser, ela não irá aguentar para sempre, irá chegar à ruptura e partir ou pifar.

Transmito-te em primeira mão

Comecei a experienciar ataques de ansiedade, principalmente quando estava sozinha ou totalmente o oposto, quando estava rodeada de muita gente. A minha vontade era ou isolar-me completamente, ou sentia uma necessidade de atenção e dependência tristes.

Ora, com mais alguns acontecimentos pessoais menos agradáveis pelo meio, fui deixando tudo isto arrastar. E por muita meditação que tentasse praticar ou por muito que metesse na cabeça que estava bem e era só uma menina mimada, (comparando-me aos outros e ouvindo isso da boca de muita gente), eu não estava nada bem. Agravou para depressão e ataques de pânico (ataques tão repentinos, extremos e agressivos que o corpo transmite-te mesmo a ideia de que vais desta para melhor), paranóia, baixa autoestima, etc… E o pior de uma mente não saudável e mal nutrida é que vai agravando se não a travarmos e prejudicará tudo, mas mesmo tudo, na nossa vida.

Perdes a motivação, deixas de conseguir pensar com clareza, sofres insónias ou pesadelos constantes, o teu apetite muda, o teu humor altera duma maneira tão drástica que odeias toda a gente e mais alguma e levas tudo demasiado a peito… As tuas emoções ficam completamente à toa e só atrapalham. Deixas de conseguir distinguir o que é real, do que é fruto da tua mente, de tão esgotada e cheia que ela está. Consequentemente as tuas relações serão afectadas mas principalmente a tua relação contigo.

Por muita negação passei até me aperceber disto. Mas apercebi. Um pouco tarde, mas apercebi!

Entendi que os nossos hábitos e o nosso estilo de vida ditam a nossa saúde. Temos de cuidar a sério e nutrir de verdade a todos os níveis. Porque as doenças não acontecem só aos outros (e esta pandemia do covid trouxe essa lição para muita gente né?).

Para entenderes melhor o que digo

Atreve-te, de mente e coração abertos, a assistir ao documentário Heal disponível na Netflix ou comprado através do site deles. Posso afirmar que este documentário mudou a minha vida, pois alargou a minha percepção sobre as coisas e mostrou-me outra perspectiva, devido ao seu conteúdo mas também à honestidade e veracidade do mesmo.

Como posso, hoje em dia, dar-me ao egoísmo e egocentrismo de uma mente fechada e inflexível a receber nova informação? Não posso. Primeiro porque o mundo não é só meu. Segundo porque eu não sei tudo sobre tudo. Terceiro, não sou Deus.

Se quiseres saber os aspectos importantes que reti desde documentário, continua a ler!

1- BAGAGEM DE INFÂNCIA E EFEITO NA VIDA ADULTA

“na nossa infância somos essencialmente uma esponja aberta ao mundo, absorvendo os padrões de todas as pessoas a que estamos expostos e que nos rodeiam.(…)”
“Digamos que você crescia num ambiente onde há traumas no agregado familiar, alcoolismo, conflitos familiares, relações inflamadas… Quando não temos ferramentas para processar as emoções num dado momento, isso torna-se uma memória que não está completamente formada. Acabamos por nos vermos no mundo à nossa volta, como se ainda tivéssemos 4 anos, num ambiente de conflito, trauma e drama. Filtramos, e por isso, sentimos isso vezes sem conta, de cada vez que as cores, sons, cheiros, sabores e sensações são accionadas. E de imediato reagimos como se essa memória estivesse a acontecer pela primeira vez. Assim, pode tentar ultrapassar a mente subconsciente, tal como se tentasse ultrapassar uma sombra. Não consegue. Tem que virar-se e enfrenta-la. Tem de ver o problema como o portal. E assim reconhecer que os sintomas e agressores são significativos e brilhantemente inteligentes em acordar-nos.”

2- STRESS E ALIMENTAÇÃO

“a chave para nos livrarmos das doenças crónicas e outras patologias e tratar certas toxinas e agentes patogénicos, é claro uma alimentação equilibrada e à base de plantas (olhar para a natureza e para a comida como medicamentos é o que é feito há milhares de anos), e eliminar o stress. O resultado de uma boa alimentação rica em alimentos integrais à base de plantas é uma boa saúde física, mas também uma boa saúde mental. Os resultados de factores de stress são a doença e enfermidade que vão surgir da química do medo. Todos os factores de stress seja físico ou emocional, desequilibram o nosso cérebro e corpo, produzindo cortisol e adrenalina e, para entrarmos em modo de sobrevivência e como que lutarmos pela nossa vida. Mesmo que não seja o caso, essa é a activação que cria no nosso corpo. Isto acontece, no mundo de hoje, a toda a hora. Ora, submetendo o nosso organismo a isto constantemente, os nossos sistemas estão a ser sobrecarregados e irão eventualmente começar a falhar e consequentemente começamos a adoecer.”

3- EMOCIONAL

“bloqueios emocionais podem provocar bloqueios físicos. Então a ideia é libertá-los. E podes fazer isso do modo que quiseres. Algumas pessoas soltam a tensão numa aula de zumba, outras vão ver um xamã e fazem retiros, algumas fazem Yoga, outras hipnoterapia, outras queimam cartas do seu ex namorado… Na verdade, qualquer coisa que funcione. Seja o que for que te permita libertares-te dessa raiva, ressentimento, dor e trauma. Especialmente trauma que pode, muitas vezes, estar fechado dentro do cérebro, no subconsciente. As vezes é preciso tentar chegar lá para o libertar.
Às vezes é muito difícil chegar lá porque somos muitos bons a negar.”

4- PODER DO PENSAMENTO POSITIVO

“o poder da crença é quase tudo. Aquilo que em que acreditamos e estamos a pensar neste momento, está a dizer ao seu sistema imunitário para parar e não funcionar porque “temos de fugir do agente agressor”, ou “está tudo bem. Porque não relaxamos e se houver algo para ser limpo, limpamos?” É isto. Ou estamos em modo lutar e fugir, ou em modo descansar e reparar. E são as nossas crenças que activam esse interruptor. Logo, as crenças são tudo.”

“o corpo e as células que nele trabalham, dependem do sistema nervoso para receber informação sobre o ambiente de modo a se adaptarem a ele. O único problema disto é que a consciência é uma interpretação. Logo a mente está a interpretar o ambiente. E nem toda a gente tem a mesma interpretação do mesmo ambiente. Uma pode ter uma interpretação positiva, e outra negativa, e terão resultados e efeitos diferentes no interior do corpo. Portanto, se mudar a minha percepção, a minha mente, as minhas crenças sobre a vida, mudo os sinais que estão a entrar e a ajustar o funcionamento das células. Não sou vítima da minha hereditariedade, sou dono da minha actividade genética.”

5- MENTE

“A mente é óptima quando a usamos como ferramenta. Mas não é bom quando é ela que dita as regras.” 

6- CONSCIÊNCIA AMBIENTAL E SOCIAL

“Se estiver verdadeiramente a tratar a terra com reverência, permitiria o nível de poluição e de contaminantes que permitimos?
Se estiver realmente a pensar nas suas crianças com reverência, e a assumir a responsabilidade para futuras gerações, permitiria algumas das coisas que permitimos?
Assim, se toda a sociedade permite que as forças económicas prevaleçam, em vez dos verdadeiros princípios humanitários e o amor pela Terra, de uns pelos outros e o amor pelas crianças, então obtém o que estamos a obter.”

Aconselho vivamente a assistires a este filme, pois contém muita informação que te pode ser útil para além desta que descrevi. Mostra a jornada e relatos de vida de diferentes pessoas que viveram situações e doenças, que merecem ser ouvidos.

Obrigada por leres e não julgares!

Até breve

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