Sinto que há muito a dizer sobre este tema e dados os acontecimentos e sentimentos dos últimos tempos, achei por bem falar dele neste momento aqui no blog.

Para te explicar a ecoansiedade, deixa-me explicar-te como me tenho sentido nos últimos anos…

Foi desde que mudei para uma alimentação 100% vegetal, há uns bons anos atrás, que tudo começou. Comigo veio de repente e em peso… Uma onda levou-me e enrolou-me sem contar, como aquelas ondas do mar que aparecem por trás em dias de praia, e te levam a perder a direção da superfície numa “máquina de lavar”, te fazem ficar aflito e te enchem de areia para limpares. Foi mais ou menos isso. Uma chapada de consciência, um acordar para a realidade, e muita informação para gerir, aceitar e tratar.
Crueldade, desperdício, tortura, matança, hipocrisia, corrupção, desleixo, despreocupação, desigualdade, descriminação, pobreza, alterações climáticas, e toda a podridão que forma o sistema onde nasci, vivi, viverei e morrerei, e isto vezes não sei quantos milhões e milhões de pessoas que já por aqui passaram, que aqui estão, e que ainda virão… E o fim? Não pareces vê-lo… Ou melhor, vês, mas não é uma luz. É escuro. Total breu.
Nasceu então uma activista, vegana, feminista e o que quiserem chamar, e apesar da minha lua em peixes me fazer deprimir e arrastar pelos cantos, a minha veia aquariana pesada fez-me querer mudar o mundo. E por aqui ando a dar o meu melhor desde então. Mas digo-te, querid@ leitor@… Uff… Desgastante é favor! E por vezes, (muitas vezes), não há veia aquariana que salve. Sou sensível e vou-me abaixo… Muito abaixo mesmo. Choro muito, e fico claustrofóbica, ansiosa, asmática e em pânico, e chego a baixar os braços por momentos ou mesmo dias. No meio da luta, os problemas são tantos que quando tentas puxar um para o resolver, descobres que não é só uma erva daninha… É todo um tronco enterrado cheio de raízes que parece não ter fim. E dás por ti com um panorama desastroso e pensas “não tempo tempo para resolver isto” e “talvez não haja solução”. Nesses momentos a vontade de desistir é enorme. Mesmo desistir da vida. A culpa é muita também. Afinal sou humana e faço parte de tudo isto e mesmo que não queira, colaboro.

Bem, tudo isto que acabei de te descrever é ecoansiedade. É uma batalha constante, como se já não bastasse aquela de tentar salvar o planeta.

Fonte: The Fairly Local Family Youtube

For the eco-anxious, more concerning than even this apocalyptic news is the extraordinary level of indifference and banality with which the climate crisis is treated by many others, including those in positions of influence. Eco-anxiety is growing, and refers to the chronic fear of environmental doom probably first described in 2017 by the American Psychiatric Association. [1] Although not yet formally considered a diagnosable condition, recognition of eco-anxiety and its complex psychological responses is increasing, as is its disproportionate impacts on children, young people, and the communities with the least resources to overcome the adverse consequences of the climate crisis. [1]

[1] Clayton S, Manning CM, Krygsman K, Speiser M. Mental health and our changing climate: impacts, implications, and guidance. American Psychological Association, and ecoAmerica, 2017

É difícil de gerir e a mente, apesar de maravilhosa, trabalhar de maneira avassaladora por vezes.
Mas este artigo não é apenas sobre as trevas. É também sobre a luz… Vamos falar de luz! Só eu sei o quanto preciso de ler isto que escrevo.

Como podemos aceitar o que sentimos mas remar numa direção melhor?

A frase acima, “pequenos actos, multiplicados por milhões de pessoas, podem transformar o mundo” parece não ser afirmação suficientemente forte para recuperar o ânimo e a esperança, mas não deixa de ser verdade.

Além desta, recentemente transbordou-me da boca num convívio de pé descalço, que “para mudar o mundo, precisamos fazer parte dele” e portanto a ecoculpa de ser humana tem de perder espaço em mim, para que o espaço para pensar, organizar, gerir e espalhar ações, gestos e palavras com positivo impacto, possam acontecer. E não é o que todos queremos no fundo?

Considero-me parte de várias comunidades… Sou “activista”, “vegan”, “feminista”, etc… Comunidades e rótulos que são excelentes alvos de julgamento… Pois, é fácil julgar. Difícil é tentar fazer algo acontecer, e entender que essas comunidades, por muito que possam incluir pessoas com as palavras e intenções erradas, foram criadas para melhorar o mundo. E é disso que o planeta precisa: humanos com vontade de evoluir e serem melhores na sua passagem por esta vida. E o peso do mundo não pode cair sobre uma pessoa só. A responsabilidade individual não pode ser à escala global. Existe apenas tanto que possamos fazer… E está tudo bem. Podemos é fazer muito mais, juntos!

Eis algumas dicas em que te podes concentrar quando te sentires assoberbad@

Se isto não for suficiente e te encontras numa fase mais desafiante de ultrapassar, podes e deves consultar um terapeuta. A pessoa que não dispenso na minha vida, mesmo que seja para reunir de longe a longe, é a Dra. Catarina da Costa. É psicóloga e especialista em terapia EMDR e dá consultas presenciais e online. Contacta-a através do instagram, ou email catarina@catarinadacosta.pt

Desejo-te esperança!

Até breve

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