Não sou agricultora nem nada que se pareça. No entanto, achei importante transmitir-vos o pouco que tenho aprendido acerca da escolha dos alimentos que ingiro. Como o saber não ocupa lugar e a vida em si é uma aprendizagem, desejo que esta jornada continue e que descubra mais e mais ao longo do tempo.

Comer ou usar algo natural e saudável para o organismo é o que todos procuramos. Mas como tudo, ou quase tudo, hoje em dia existe todo um mundo dentro dos conceitos de saudável. Provavelmente já te deparaste com isso numa ida ao supermercado… Agora em quase todos existe um cantinho (ou cantão!) de produtos “saudáveis” (pelo menos segundo a embalagem) que dão vontade de experimentar! Peço-te apenas cuidado e consciência, como consumidor, nas compras que fazes, pois o que parece nem sempre é! Mantém-te neste artigo para entenderes o que quero dizer…

Consideremos a tabela seguinte onde constam os termos comuns usados nos produtos alimentares no marketing:

TermDefinition
100% organicMust contain only organically produced ingredients and processing aids (excluding water and salt).
OrganicMust consist of at least 95% organically produced ingredients (excluding water and salt). Any remaining product ingredients must consist of nonagricultural substances approved on the National List.
Made with organic ingredientsMust contain at least 70% organic ingredients.
NaturalA product containing no artificial ingredient or added color and that is only minimally processed (a process that does not fundamentally alter the raw product). The label must explain the use of the term.
Free rangeProducers must demonstrate to the USDA that the poultry has been allowed access to the outside.
No hormones (pork or poultry)Hormones are not allowed in raising hogs or poultry. Therefore, the claim “no hormones added” cannot be used on the labels of pork or poultry unless it is followed by a statement that says “Federal regulations prohibit the use of hormones.”
No hormones (beef)The term “no hormones administered” may be approved for use on the label of beef products if sufficient documentation is provided to the USDA by the producer showing no hormones have been used in raising the animals.
No antibiotics (red meat and poultry)The terms “no antibiotics added” may be used on labels for meat or poultry products if sufficient documentation is provided by the producer to the USDA demonstrating that the animals were raised without antibiotics.
Certified“Certified” implies that the USDA’s Food Safety and Inspection Service and the Agriculture Marketing Service have officially evaluated a meat product.
Chemical freeThis term is not allowed to be used on a label.
Organic Foods: Health and Environmental Advantages and Disadvantages de Joel Forman e Janet Silverstein, do Committee on Nutrition and Council on Environmental Health, de November 2012

Não basta um produto dizer ou parecer “natural” na embalagem, para ser considerado bom e seguro.

A definição de biológico que consta no dicionário é: “todo o produto ou alimento cuja produção não recorre ao uso de pesticidas ou aditivos químicos”. Mas a agricultura biológica é mais do que isso.

As diferenças entre um produto de origem biológica e um produto de origem convencional

A produção convencional, geralmente, é carregada de antibióticos, pesticidas potentes, hormonas e metais pesados. Tanto nível de toxicidade não pode, de todo, ser bom para o nosso organismo. Só isso, pelo menos a meu ver, já é razão suficiente para escolher biológico. Outra questão que deves ter em atenção é que os níveis considerados aceitáveis nas leis mudam de país para país e, mesmo assim, não significam que tens de concordar com eles. A agricultura biológica não é igual em todo o mundo. Tu tens sempre opção de escolher o que ingeres e o que deixas entrar no templo que é o teu corpo!

Epidemiological studies point to the negative effects of certain insecticides on children’s cognitive development at current levels of exposure. Such risks can be minimised with organic food, especially during pregnancy and in infancy, and by introducing non-pesticidal plant protection in conventional agriculture. There are few known compositional differences between organic and conventional crops. Perhaps most importantly, there are indications that organic crops have a lower cadmium content than conventional crops due to differences in fertiliser usage and soil organic matter, an issue that is highly relevant to human health.

(…)The prevalent use of antibiotics in conventional animal production is a key driver of antibiotic resistance. The prevention of animal disease and more restrictive use of antibiotics, as practiced in organic production, could minimise this risk, with potentially considerable benefits for public health.

Human health implications of organic food and organic agriculture: a comprehensive review, 2017

A agricultura biológica tem muito que se lhe diga. Tanto que, por vezes, nem mesmo um dito agricultor no papel entende. Na minha pesquisa percebi que é um mundo gigante onde só no terreno se aprende e com alguns anos de experiência em cima. Contudo posso dizer que um produto biológico requer certos cuidados, certa manutenção e claro, amor, carinho e paciência.

Para além disto, a agricultura convencional é geralmente massificada e industrializada, como se a natureza desse frutos em série e todos iguais. Apesar de não estar totalmente provado que os alimentos provenientes de agricultura biológica são mais ricos nutricionalmente, não há como afirmar que obter alimentos através da agricultura convencional é melhor do que numa agricultura cuidada e respeitadora como é o caso da agricultura biológica. Pior ainda, se exigirem importação. Basta provar.

Foi-me explicado pela D. Nilsa (produtora biológica), quando lhe disse que não gosto do sabor amargo da couve de Bruxelas, que na verdade, o que lhes dá esse sabor são os pesticidas e químicos. As dela são deliciosas!

Sendo a agricultura biológica um modo de produção em que não são usados pesticidas, fertilizantes químicos, antibióticos, aditivos ou sementes geneticamente modificadas, não permite, propriamente, uma produção em massa e desenfreada…

É preciso atenção e muito empenho por parte dos produtores. A agricultura implica muito trabalho árduo por si só, mas a agricultura biológica ainda mais. Por não terem os mesmos recursos e processos, as frutas, legumes ou plantas, muitas vezes, não calham bonitinhos e não vêm ter à mão do consumidor em estilo “barbie”. É a magia do biológico: cada ingrediente é único. Mas acima de tudo, a agricultura biológica é um modo de respeito pela terra, pelo ambiente e pelos seres.

O que significa ao certo respeito pela terra, pelo ambiente e pelos seres?

A agricultura biológica é alvo de legislação específica, o Regulamento (CE) N.o 834/2007 DO CONSELHO de 28 de Junho de 2007, onde consta o seguinte:

(…)é um sistema global de gestão das explorações agrícolas e de produção de géneros alimentícios que combina as melhores práticas ambientais, um elevado nível de biodiversidade, a preservação dos recursos naturais, a aplicação de normas exigentes em matéria de bem-estar dos animais e método de produção em sintonia com a preferência de certos consumidores por produtos obtidos utilizando substâncias e processos naturais. O método de produção biológica desempenha, assim, um duplo papel societal, visto que, por um lado, abastece um mercado específico que responde à procura de produtos biológicos por parte dos consumidores e, por outro, fornece bens públicos que contribuem para a protecção do ambiente e o bem-estar dos animais, bem como para o desenvolvimento rural.

Regulamento (CE) N.o 834/2007 DO CONSELHO de 28 de Junho de 2007

Ora, achas que é isto que acontece em todo o lado? Achas que isto é respeitado por todas as marcas que te aparecem à frente? Se achas, não devias. Mas este blog está aqui para isso mesmo: para te elucidar e te ajudar a fazer escolhas mais conscientes.

Ainda que não queira entrar por este tópico, o mesmo se aplica à produção biológica animal.

Galinhas ao ar livre

Para evitar a poluição ambiental, nomeadamente a poluição dos recursos naturais como os solos e a água, a produção biológica de animais deverá, em princípio, assegurar uma relação estreita entre essa produção e as terras agrícolas, sistemas adequados de rotação plurianual e a alimentação dos animais com produtos vegetais resultantes da agricultura biológica e obtidos na própria exploração ou em explorações biológicas vizinhas.

Uma vez que a criação biológica de animais é uma actividade ligada aos solos, os animais deverão ter acesso, sempre que possível, a espaços ao ar livre ou a pastagens.

É necessário que a criação biológica de animais respeite normas exigentes em matéria de bem-estar dos mesmos, atendendo às necessidades comportamentais próprias de cada espécie, e que a gestão da saúde animal se baseie na prevenção das doenças. Nesta matéria, deverá ser dada especial atenção às condições de alojamento, às práticas de criação e ao encabeçamento. Além disso, a escolha das raças deverá ter em conta a sua capacidade de adaptação às condições locais.

É conveniente que o sistema de produção animal biológica tenha por objectivo completar os ciclos de produção das diferentes espécies animais com animais criados de acordo com métodos biológicos. Por conseguinte, esse sistema deverá favorecer o enriquecimento do capital genético dos animais de criação biológica, melhorar a auto-suficiência e assegurar assim o desenvolvimento do sector.

Regulamento (CE) N. o 834/2007 DO CONSELHO
de 28 de Junho de 2007
Lagarta passeando no funcho

É tudo muito bonito só de se falar em agricultura biológica mas, a realidade do respeito pela terra e tudo o que a rodeia não corresponde, de todo, ao conceito de beleza e liberdade a que estamos habituados… e o que quer isto dizer? Respeitar a natureza significa não a destruir, e não desmatar a torto e a direito, só para que tudo fique lindinho e “pronto” para plantar, nem significa destruir habitats, ainda que os bichos que neles vivam nos pareçam maus. A verdade é que tudo o que já lá está, funciona numa harmonia perfeita e, por incrível que pareça, a nosso favor! As ervas daninhas (que muitas até são boas para comermos!), os bichos, os ratos, etc… É tudo uma cadeia e é tudo filtro para que as nossas hortícolas floresçam e prosperem! Só desta forma é que impedimos os nossos campos de pragas e de piolhos ou outros bichinhos que gostam de invadir tudo! Assiste ao documentário Kiss The Ground e The Biggest Little Farm e vais entender tudo o que te estou a explicar!

A chamada agricultura biodinâmica (agricultura que implica uma gestão holística, a reciclagem e reutilização dos recursos da exploração, enfatiza o poder de preparações e da coordenação de certas actividades de acordo com a disposição dos astros para melhorar a saúde, a produtividade e o valor nutricional dos cultivos), e a permacultura (que corresponde a uma gestão ecológica de sistemas agrícolas, com o objectivo de criar sistemas naturais que se sustentam a si mesmos por serem estáveis, e que permite uma intervenção humana reduzida) são também exemplos, para além da agricultura biológica, de como a nossa Terra deve ser tratada e manipulada, no melhor sentido da palavra.

Capuchinhas (Tropaeolum majus)
Horta Biológica da D. Nilsa

Por vezes, as aparências iludem

Por vezes, as empresas, os produtores e as marcas vendem algo como sendo excelente para a tua saúde (pintando rótulos interessantes e com palavras como “origem natural”, entre outras feitas para pensares que é bom), mas na verdade não respeitam estas leis e estes conceitos (que existem por alguma razão), e muitos dizem ser biológicos e não o são. A certificação ajuda a conquistar a confiança dos consumidores, mas também isso está sujeito a interpretação pois, por vezes, há quem cumpra e tenha mais cuidado e amor em tudo o que toca, mas não consegue a certificação por diversas razões, seja porque estão uns centímetros fora da linha permitida, ou porque simplesmente a certificação é demasiado cara para o bolso. Muitas vezes, estamos a falar de agricultores humildes e pobres que não conseguem fazer mais. Digo-te isto porque testemunho com os meus próprios olhos. Pouco importa se quem faz errado é apanhado ou não. Importa sim, que tu, como consumidor, tenhas a consciência, atenção e total conhecimento do que estás a adquirir. Afinal de contas, os produtos vem para tua casa, e serão absorvidos pelo teu corpo, por isso, é importante que te importes.

Deves fazer pesquisa, deves fazer perguntas sem medo, e pedir mais informações de modo a que as marcas, empresas e produtores mereçam a tua confiança. Não és tu que deves procurar pela confiança de quem vende! Como em tudo, nos dias de farsas e fraudes que correm, não deves fiar-te apenas pela publicidade, marketing ou embalagens bonitas! Muito pelo contrário até… Como diz o ditado, “as aparências iludem”! Sei que não é fácil! Acredita que eu bem sei! Só para conseguir publicar um artigo em condições e verdadeiro neste blog, por muito superficial que seja (pois certos temas requerem anos de estudo e trabalho), vejo-me grega! Aquando a minha pesquisa e estudo, recebo imensos “nãos”, portas fechadas na cara, ou contactos sem resposta porque as marcas/empresas/produtores não estão habituados a isto. A transparência não é um hábito, apesar de tudo, e de todas as regras e leis.

Por outro lado os consumidores/clientes também não estão acostumados a procurar e a querer saber mais… Conformam-se, e comem e calam. Porquê? Se pagas por um serviço ou escolhes determinada marca, é o teu direito (e dever!) saber bem o que estás a obter. Se tiveres conhecimento de causa, poderás tomar decisões com total consciência. Se ficares sem saber, é porque tens de te virar para outra direção.

Preços elevados

Sim, já sei que este é um dos argumentos mais respondidos pelos consumidores quando lhes é questionado sobre o porquê de não escolherem comprar biológico.

São tempos caóticos e apertados financeiramente para todos, é um facto. E apenas podemos, e devemos, fazer o melhor que conseguirmos, e isso é suficiente. Contudo, defendo que a prevenção é bem melhor que o remédio, e a alimentação, por exemplo, é dos melhores investimentos que podemos fazer para a nossa saúde. Pois, sem saúde, não somos nada! E ter saúde passa por nutrir bem o nosso corpo com alimentos inteiros, naturais e nutricionalmente fortes. Diminuir a quantidade de químicos tóxicos e ingredientes artificiais ou modificados que o nosso corpo absorve é meio caminho andado para sermos a nossa melhor versão, para evitarmos as doenças e para termos qualidade de vida. Se conseguirmos isso com sucesso, seremos bons para nós, para os outros e para o planeta.

Continuando no estudo que indiquei anteriormente, no que diz respeito aos valores dispendiosos associados à agricultura biológica, conseguiu constatar-se o seguinte:

One major concern with organic food is its higher price to consumers. Organic products typically cost 10% to 40% more than similar conventionally produced products.69 A number of factors contribute to these higher costs, including higher-priced organic animal feed, lower productivity, and higher labor costs because of the increased reliance on hand weeding.

(…)5. Organic farming approaches in practice are usually more expensive than conventional approaches, but in carefully designed experimental farms, the cost difference can be mitigated.

6. The price differential between organic and conventional food might be reduced or eliminated as organic farming techniques advance and as the prices of petroleum products, such as pesticides and herbicides, as well as the price of energy, increase.

 

CLINICAL REPORT
Organic Foods: Health and Environmental Advantages and Disadvantages de Joel Forman, MD, Janet Silverstein, MD, COMMITTEE ON NUTRITION, and COUNCIL ON ENVIRONMENTAL HEALTH, 2012

Eu, por exemplo, opto por um estilo de vida minimalista… não tenho vícios, não vivo de luxos ou extravagâncias, e considero-me uma pessoa poupada. E vivo muito feliz assim. Onde gasto mais o meu dinheiro é, sem dúvida, na alimentação, pois sinto-me bem a fazê-lo e sei que não é um desperdício. Pelo contrário! É poupança também! Significa menos dinheiro gasto em medicamentos no futuro. A alimentação é a minha medicina.

Criança a deliciar-se com vegetais. Fonte: Ellen Fisher Instagram

Existem estudos, tal como o Human health implications of organic food and organic agriculture: a comprehensive review de Axel Mie, Helle Raun Andersen, Stefan Gunnarsson, Johannes Kahl, Emmanuelle Kesse-Guyot, Ewa Rembiałkowska, Gianluca Quaglio e Philippe Grandjean, da Environmental Health, de 2017, que dizem o seguinte:

“(…) As diferenças nutricionais entre os produtos orgânicos e convencionais parecem mínimas, mas os estudos que analisam isso foram limitados por controlo inadequado devido aos muitos fatores potenciais subtis e confusos, como humidade, maturidade do produto e técnicas de medição.” No entanto conseguem afirmar que “Há evidências sólidas de que os alimentos orgânicos contêm mais vitamina C (ácido ascórbico) e fósforo do que os alimentos convencionais.”

Apesar de não haverem pesquisas e estudos suficientes, completos e profundos, que comprovem uma relação directa a agricultura biológica e uma melhor saúde, existem diversos estudos indirectos com conclusões interessantes como por exemplo:

This study (Kummeling I, Thijs C, Huber M, et al. Consumption of organic foods and risk of atopic disease during the first 2 years of life in the Netherlands. Br J Nutr 2008), by some of the same researchers who examined the CLA content of breast milk, studied whether diets containing varying amounts of organic foods affected allergic manifestations in 815 two-year-olds.56 Food consumption for the second year of life was studied based on conventional (<50% organic), moderately organic (50-90% organic), or strictly organic (>90% organic) diets. When all organic foods were taken into account, there was a non-significant trend toward lower eczema risk (OR: 0.76) for those on a strict organic diet. But, when the types of organic foods were examined individually, consumption of organic dairy products did result in a statistically significant advantage for lower eczema, those children consuming organic milk and milk products having a 36-percent reduction in risk of having this allergic skin disorder.

Organic foods contain higher levels of certain nutrients, lower levels of pesticides, and may provide health benefits for the consumer – Walter J. Crinnion, Apr. 2010, Alternative Medicine Review(Vol. 15, Issue 1)

In the MOBA birth cohort study of 28,000 mothers and their offspring, women reporting a frequent consumption of organic vegetables during pregnancy exhibited a reduction in risk of pre-eclampsia [29] (OR = 0.79, 95% CI 0.62 to 0.99). No significant association was observed for overall organic food consumption, or five other food groups, and pre-eclampsia.

HUMAN HEALTH IMPLICATIONS OF ORGANIC FOOD AND ORGANIC AGRICULTURE: A COMPREHENSIVE REVIEW, 2017

Tens sempre mais opções

Cada caso é um caso, mas no geral, todos temos mais do que uma opção. Se mesmo assim, consideras os produtos biológicos demasiado fora do alcance da tua carteira, considera começar uma pequena horta em casa. Mesmo que vivas num apartamento, hoje existem várias formas práticas e fáceis de manter, que não requerem muito espaço, para teres ao teu dispor alguns alimentos frescos e cultivados e tratados sob a tua total supervisão. Considera a CGARDEN ou a Life in a Bag, e dá uma vista de olhos no Instagram da Catarina Barreiros, no site d’A Senhora do Monte, no site Hortas Biológicas ou no Instagram Horta Em Casa, ou procura ainda o livro Uma Horta em Casa para aprenderes mais!

Podes também tentar saber de um vizinho ou amigo de confiança que tenha terreno com cultivo, para te fornecer hortícolas e fruta em troca de algo.

Outra opção que tens é priorizar o que compras biológico. Já deves ter ouvido falar dos Dirty Dozen ou “12 Sujos”. Correspondem a uma lista de 12 alimentos elaborada pelo Environmental Working Group (EWG), considerados os prioritários a comprar biológicos, pois são aqueles em que são usados mais pesticidas para o seu cultivo, na produção convencional. São eles:

  1. Maçãs
  2. Aipos
  3. Espinafres
  4. Pêras
  5. Pepinos
  6. Pimentos
  7. Tomates
  8. Uvas
  9. Cerejas
  10. Pêssegos
  11. Nectarinas
  12. Morangos

É uma lista na qual te podes guiar para fazeres as tuas compras biológicas. Para mim, tudo cuja casca se ingira é prioritário, pois é nela que os pesticidas são mais absorvidos.

Existe também uma lista de “limpos”, ou os Clean Fifteen, que são os 15 alimentos cujo relatório de investigação revela menor quantidade de pesticidas. Eis:

  1. Meloas
  2. Espargos
  3. Toranjas
  4. Milhos
  5. Abacates
  6. Beringelas
  7. Kiwis
  8. Cogumelos
  9. Cebolas
  10. Batata-doce
  11. Mangas
  12. Ervilhas
  13. Ananás
  14. Toranjas
  15. Papayas

De qualquer modo, tal como te disse anteriormente, isto não é regra nem imposição. TU escolhes o que deixas entrar no teu corpo, sabendo que tudo tem consequências. Positivas ou negativas? Só depende de ti!

Bons exemplos

Eu tenho horta e árvores de fruto em minha casa, com muita sorte. Mas para além disso, para quando a horta não tem, não faltam vizinhos com terrenos cujos hortícolas são cedidos sem favores e consequentemente muito apreciados aqui em casa! Ora são os brócolos da D. Felismina, ou os espinafres da Alice, ou a couve galega e chuchu da D. Armanda, ou até mesmo os ovos das galinhas poedeiras do tio, para quem os come aqui em casa. É mágico sentir comida real nas minhas mãos e sentir total segurança e confiança naquilo que estou a comer. Essa é a verdadeira benção.


Esta é a quinta da D. Nilsa e do Sr. Rui (Talentos da Nilsa), que abastece o Cantinho Bio, em S. João da Madeira. É aqui que deposito toda a minha confiança nas compras. Sei de onde vêm os produtos, sei que os alimentos e o solo são bem tratados, e que tudo é feito com muito amor e carinho. A D. Nilsa, para além de ser uma alma amorosa cuja companhia apetece, tem muito amor à sua horta, pois sempre foi o seu sonho. Não teve medo de o perseguir e de lutar pelos seus princípios e hoje cultiva fruta, vegetais e sementes de todo o tipo, respeitando tudo à sua volta, o melhor que pode, como se a sua horta fosse o seu santuário. Ela e a família abastecem-se do seu campo para todas as refeições diárias e costuma referir que a sua riqueza é a saúde! Não tive dúvidas disso.

O Cantinho Bio, da minha querida Marta Gregório, vende desde legumes e frutas saborosos, a produtos cosméticos biológicos, a kombucha, leite vegetal, cereais e leguminosas. Dispõe de cabazes por encomenda. E quando os vegetais acabam e o campo da D. Nilsa ainda não deu mais, devemos esperar pacientemente por novos cultivos, pois a Terra é uma máquina perfeita mas não em massa, e deve ser respeitada!


O Sabores do Campo, do Sr. José Faria e do seu filho Diogo Faria, é outro bom exemplo de como se deve cuidar da nossa Terra. Conheci-os por mero acaso, através do Instagram. Enviei mensagem a colocar algumas questões e responderam-me rapidamente e com honestidade, o que me surpreendeu, e me fez querer provar dos seus vegetais. Possuem uma plantação de alimentos biológicos na Quinta do Mobril, em Fafe, mais propriamente Santa Cristina de Arões, e cumprem todos os critérios “à risca”. Mesmo tendo noção do quão dura, e por vezes desanimadora, pode ser a agricultura biológica, não desistem, pois para eles, só assim faz sentido! E eu cá não podia concordar mais! Tal como este blog, acreditam que o ecossistema deve ser preservado ao máximo, logo optam pela agricultura o mais regenerativa possível, sem mexer demasiado na terra, nem recorrer a máquinas pesadas ou poluentes.

Dispõem de cabazes biológicos semanais para entrega em Fafe, Famalicão, Santo Tirso, Maia, Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Braga, Guimarães, Vizela e Felgueiras.


A Bio Habitus é mais do que uma loja. É um serviço criado e gerido pelo Francisco. Foi das primeiras lojas biológicas que procurei quando comecei a fazer as minhas próprias compras e abrir os meus horizontes além dos supermercados! A Bio Habitus, para além de produtos de outros produtores ou locais, tem produção própria. Muitos dos legumes, fruta e aromáticas abastecidos na loja têm origem na sua quinta biológica, em Vila Nova de Gaia. O projecto começou em 2013 e não tem previsão de parar! A equipa é empenhada em trazer-nos o melhor e partilham regularmente amostras do quotidiano nas redes sociais. Entre couves, terra e bichinhos amigos, fazem o que podem para defender uma agricultura sustentável e ética, procurando ir ao encontro de quem os visita.

Francisco e um amiguinho que o visitou

A Bio Habitus também possui cabazes semanais ou à lista, e entrega às terças e quartas no Porto, Matosinhos, São Mamede Infesta, Leça da Palmeira, Vila Nova de Gaia e Espinho.


Mais do que escolher biológico, a meu ver, importa muito escolher local e sazonal. Várias razões me levam a escolher assim. Apoio os produtores locais, uma vez que os nossos agricultores são muito trabalhadores e apaixonados, e precisam da nossa ajuda; evito o transporte e importação dos alimentos, o que pode fazer com que se perca a qualidade do alimento e se aumente a pegada de carbono; priorizo escolher sazonal (se bem que nem sempre é possível devido ao meu tipo de alimentação, entre outros factores), pois alimentos fora de época não têm um sabor nem um valor nutricional tão rico, implicam importação, no geral, e requerem mais manipulação quando o clima não é propício.

Mais importante ainda do que tudo o que te falei aqui, é escolheres ter uma alimentação e estilo de vida limpos e saudáveis, ricos em vegetais e fruta sejam eles quais forem, pois o conjunto de práticas equilibradas é que potenciam saúde.

Cada caso é um caso, e o que é melhor para mim pode não ser o melhor para ti. Escolhe o que te for mais conveniente mas escolhe saúde!

Obrigada por leres e explorares comigo novas e boas alternativas!

Até breve

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