Lá vem a hippie com ideias, hábitos e conceitos incompatíveis e que contrariam tudo o que a sociedade é, e tudo o que ela permite… Bem, a ideia por vezes é mesmo essa! Fico feliz de contrariar aquilo que não me serve, aquilo que não gosto ou aquilo que nada tem a ver comigo e com o meu ser. E se ajudar mais alguém a ser feliz partilhando, ainda melhor! Então vamos lá…

Começo por tentar explicar o que é afinal a meditação e o que ela representa. Meditar é considerar, pensar sobre, projectar, tencionar, reflectir1… Meditar, na sua definição mais básica, é levar o nosso foco mental, mas também físico, emocional e espiritual, a um ponto essencial, de forma a potenciarmos um alinhamento e um relaxamento consciente. É como sermos os nossos próprios terapeutas mas sem necessidade de proferir palavras sobre nada, pois a conversa é interior e por vezes bem profunda e poderosa.

Parece difícil e inalcançável só de ler o que escrevo né? As palavras e definições parecem utópicas e extravagantes quando o que queremos explicar não se define por palavras. Bem, eu tento! Mantém-te comigo…

A meditação está, e não está, directamente relacionada com a espiritualidade. Como explicar isto? O acto de meditar por si só, não implica nada ascético, místico, religioso, alegórico ou metafórico. No entanto, pode implicar tudo isso, se assim a pessoa desejar ou facilitar. A pessoa que medita não tem de acreditar em nada em concreto, nem de praticar uma religião, nem de crer em espíritos ou fantasmas, nem na vida após a morte. Apenas tem de se dar à ação de meditar, levando a atenção a algo.

Meditar é despertares para aquilo que já és.

Fonte: Marcos Chin

A minha jornada

Comecei a meditar há mais tempo do que aquilo que pensava… Desde que a minha meditação se tornou mais constante e mais sólida, comecei a perceber certas coisas para as quais, outrora, não estava minimamente atenta ou desperta. Entendi que já tinha meditado antes mas sem o conceito de meditação presente. Hoje faço mais e melhor… Hoje permito-me ao que não me permitia antes. A cortar as raízes e ramos secos de trevas que me prendem e me fazem não sair do lugar, por muito que caminhe ou corra. Sabes aqueles erros, aqueles pensamentos e aquelas sensações que se tornam padrões? Para evoluires, tens de te desfazer deles. Sim eu sei, que merda. Sair do conforto… Bem, também ele é uma merda quando te apercebes.

E meditar é isso mesmo: um crescimento, um processo, um desenvolvimento pessoal e social. Pelo menos é isso que a meditação é para mim. Torna-me mais consciente a cada dia, e isso permite-me tornar-me espectadora de mim própria quando estou em conflito e não estou a conseguir ver as coisas claramente. Abrandou a minha caminhada e não há nada melhor do que viver a vida com calma e com alma. É a minha forma de desacelerar o tempo. E quem não deseja que o relógio pare de vez em quando? Não é possível que aconteça, mas é possível sentir isso.

Ao longo dos meus 27 anos de caminhada, houve coisas que já consegui interiorizar e fiz delas os meus guias para continuar. Essa consciência de tudo foi a mais importante de todas elas. Já tive alturas da minha vida em que fazia e vivia tudo a correr, tudo à flor da pele e tudo como se fosse uma máquina ou um robot, porque, enfim… tinha de ser! Assim de mim era exigido. Mas, meus queridos leitores, o universo dá-nos cada alerta e cada cacetada para nos chamar a atenção das mudanças que devem ser feitas, que se não dermos importância, ele encarrega-se de nos mudar os rumos, de uma maneira ou de outra, em último recurso. Ele faz isso por nós, sim. Mas é sempre melhor estar atento e prevenir. E podemos fazer isso, tomando consciência do nosso corpo, da nossa mente e das nossas necessidades. Todos sabemos que o comum dos mortais não tem nem tempo, nem paciência, para fazer uma pausa, para olhar as flores e o mar ou sentir o vento na cara… E se tiverem, a coisa não sabe nem se sente como devia, pois há quatrocentas mil e trinta e duas coisas na cabeça, e como o corpo reflete a mente, ele não tá nem aí também. E a consequência é não repetires o processo porque crês não apreciar, e procuras outra fonte… a televisão, os videojogos, as redes sociais…e por aí fora. Ora, a meditação pode ser o teu portal para transformar a tua forma de ver as coisas e de sentir a vida. Porque as flores, o mar e o sol estiveram e vão estar sempre lá, aguardando que acordes para a verdadeira vida e para a verdadeira fonte. Tal como escrevi no primeiro artigo deste blog, para “A Felicidade“…

Depois de ter atingido vários pontos muito baixos em várias alturas da minha vida, finalmente percebi o que funciona para mim. Andei dispersa e a viver demasiado a superfície, e depois de surgirem problemas tanto a nível mental e emocional, como a nível físico, concluí que não fui feita, de todo, para isso. Estou cá para viver intensamente e profundamente, para ser livre e para ser feliz. Olhar para o mundo e para mim de forma mais consciente, como um todo e com respeito, e observar os mais pequenos detalhes onde reside vida, permitiu-me conhecer-me e entender o que me faz verdadeiramente feliz. Funciona como um combustível para poder ter e ser energia suficiente para mim, e para os outros. Demorou a chegar até aqui, e não digo que não tenho nem terei mais momentos baixos como antes, mas saberei recuperar com maior facilidade.

Eu medito a dar caminhadas na natureza apenas observando o que me rodeia, a sentir os pés descalços na terra, a sorrir para o céu, a falar com as árvores enquanto planto a minha lua (entregar o sangue menstrual à terra como agradecimento pela nutrição e aprendizagem do último ciclo), a ouvir gravações guiadas para relaxar antes de dormir, a fazer yoga, a nadar no mar, ou a parar, sentir e focar-me na minha respiração, pois ela é a base da minha vida e tantas vezes me esqueço que ela está lá e representa tudo o que sou…

CLARO que me distraio, claro que me desfoco, claro que, do nada, começo a pensar a discussão que tive com alguém, ou em tudo o que tenho para fazer a seguir… Mas é normal! A mente não pára, e meditar não é não pensar em nada. Isso não existe. Existe sim, levar o pensamento para algo neutro, concreto e benéfico.

Se houve algo que realmente mudou a minha vida, foi meditar para o meu útero como numa conversa, tal como me aconselhou a minha querida Joana Guimarães da Wabi-Sabi, quando descobri (ou melhor, quando me disseram…) que eu tinha ovários micropoliquísticos, endometriose e menstruação retrógrada… Tantos problemas e tantos nomes para me definirem… Tantas respostas que procurei em médicos e no exterior de mim para tentar perceber o que se passava de errado comigo e com o meu corpo, (por entre dores insuportáveis, ciclos menstruais super irregulares, enxaquecas, ansiedade e depressão), que quando finalmente as recebi (ou não), senti que não era nada daquilo. A Joana explicou-me que poderia estar a procurar respostas nos sítios errados e por meios que não me iam fazer chegar a lado nenhum em concreto. Porque há coisas que a ciência não explica. E tal era esse o meu sentimento. Apesar de eu ter sido sempre alguém que se guiava pela lógica e pela ciência, certas coisas começaram a deixar de fazer sentido e outras revelavam-se diante dos meus olhos, como numa iluminação. Nada como treinar a abertura da mente para o que possa vir. Na verdade, é a única forma de aprender.

Então, a Joana disse mesmo para eu confiar na natureza, uma vez que era algo que eu me identificava (porque natureza é basicamente aquilo que eu sou), e pedir limpeza, pedir luz, pedir clareza e nutrição… Contou-me que podia meditar para o meu útero, imaginando-o a enraizar na terra, imaginando-o a ser limpo e a ser saudável, e comprometendo-me a ouvi-lo e a colaborar. Colocava as mãos nele e no coração e fechava os olhos para este diálogo. Por muito estranho que pudesse parecer no inicio, isso trouxe-me mais do que podia pedir… Trouxe até mim o meu sagrado feminino (outra expressão hippie mas calma, não te assustes, são apenas palavras. Dá-lhes o teu próprio significado, se assim o desejares), ou seja, uma percepção e compreensão de algo que eu andava a enterrar há anos!

Actualmente, encontro-me cada vez mais conectada comigo. Para além de meditar regularmente, deixei a contracepção hormonal conscientemente depois de tantos anos e de tanto medo associado, abstraí-me das minhas dores, pois comecei a vê-las como avisos e alertas, observei o meu corpo e o que ele necessita, mudei as minhas rotinas aos poucos, melhorei a minha alimentação e cortei vícios ou pessoas tóxicas da minha vida, e com tudo isto tenho conseguido limpar, regenerar e evoluir. Não tenho dores no meu ciclo menstrual, os meus ciclos têm sido regulares e tranquilos e tudo indica que ovulo saudavelmente, não sofro de enxaquecas com tanta frequência, sinto-me mais leve e mais feliz. No fundo, acredito que todas estas mudanças e transmutações são reflexos e efeitos da tomada de consciência que é a meditação. Meditando, aceitei e tomei consciência de mim mesma, de todos os ângulos e cantinhos de mim (mesmo os mais assombrados e escuros, que todos temos) e dos detalhes do que me rodeia, e do que mereço, preciso e desejo. Simples assim, mas que exigiu trabalho e empenho, como é óbvio. Quanto mais medito e progrido, melhor entendo que varrer para debaixo do tapete é uma estratégia pouco inteligente.

Eu, mulher a vida toda, menstruada desde os 13 anos, com vida sexual entretanto, com relações amorosas passadas e presentes, não tinha a menor noção do meu poder e reprimi-o a minha vida toda! As consequências de não estarmos alinhados connosco e com a nossa essência, podem ser devastadoras e traumáticas, como foram para mim. Criamos nós na nossa saúde e nas nossas relações, percorremos caminhos inadequados, atraímos situações tóxicas, e batemos com a cabeça e com o mindinho em tudo o que é esquina…

O segredo por detrás da felicidade não está em fazermos grandes coisas mas sim em darmos todos os dias pequenos passos que nos conduzem para o nosso verdadeiro eu.

Rute Caldeira
Livro “O Poder da Meditação”

Se sentes que te identificas, considera as seguintes sugestões

O primeiro passo já deste: leste o artigo até aqui! Isso significa que algo te chamou, algo te interessou ou indignou… Fico grata por teres-te dado essa abertura.

Os passos seguintes variam bastante de pessoa para pessoa, dos gostos, das preferências, das necessidades. Começa por entender que maior parte do que está errado na tua vida, é devido a um desequilíbrio e que não estás a viver alinhado com o que verdadeiramente és… Sejam crenças enraizadas e enterradas (por vezes vindas já do tempo dos teus pais, e dos teus avós) que cismas em manter e reviver, sejam hábitos que adquiriste que nada te dizem nem nada de bom te trazem na verdade (tal como te explico no artigo “Como os Teus Hábitos Ditam a Tua Saúde“), ou falta de sensibilidade nas emoções, sensações, memórias, observações, pontos de vista, ou pensamentos… Nada disto é impossível de mudar! Nada… Discordo completamente quando dizem que as pessoas não mudam. Queridos, tudo muda!!! Tudo é uma constante mudança e nós, seres humanos, porque haveríamos de ser excepção? Submetam-nos e provoquem o modo de sobrevivência e verão se não nos adaptamos a tudo o que der e vier!

Desprende-te da ideia de que não é possível seres livre de tudo o que te enumerei em cima…

Estreia a tua viagem…

Cria ambientes favoráveis à tua meditação, para ser mais fácil, ou opta por momentos do teu dia em que saibas que estás mais tranquilo, como o acordar ou o deitar. Começa por tomar consciência e dar atenção a ti e a tudo o que te rodeia, aceitando e assumindo mesmo os acontecimentos, pensamentos, sensações e emoções menos boas, e acreditando que tudo é válido e tudo é passageiro. Confia.

  • Assiste a esta mini série (clica na imagem para ir para a página):
Headspace – Guide to Meditation. Netflix

  • Experimenta também as seguintes apps (clica nas legendas para ir para as páginas):

Todas elas dispõem de meditações guiadas diversas, que ajudam bastante para quem está a começar a meditar e tem dificuldade em abstrair-se ou para quem simplesmente se sente bem com um guia. Confesso que a minha app de eleição é a Insight Timer e já tenho algumas meditações guardadas nos favoritos para diferentes momentos e necessidades, desde yoga nidra para adormecer, a divine feminine para reconectar-me com o meu feminino, a chakra balance para equilibrar as diferentes partes de mim…


  • espreita também as meditações da Louise Hay, como por exemplo (meditações presentes no YouTube mas também disponíveis no site Louise Hay):
  • e as meditações guiadas Boho Beautiful disponíveis no Youtube (clicando no canto superior direito, poderás aceder à lista de reprodução de 40 vídeos):

  • Segue pessoas que produzem conteúdo inspirador nesta área:

Rute Caldeira

Professora Master de Meditação, Autora, Criadora SatyaDhyana- Escola de Yoga & Meditação


Inês Gaya

Professora e Mentora de Desenvolvimento Pessoal e Espiritualidade, Autora, Criadora do Método Gaya


Inês Nunes Pimentel

Coach, Mentora, Autora de Podcast e livro Vive a Tua Luz, Criadora Academia e programa Meditação


Sofia Mano

Professora de Yoga, Autora do Podcast Magia É Respirar, Yoga terapeuta


Sandra Monteiro

Professora de Yoga, Consultora, Terapeuta e Chef Ayurveda


Angela Silva Mendes

Life Coach


Ariana Bonifácio

Consultora de nutrição e estilo de vida Ayurveda

Todas elas me ajudaram bastante com o seu trabalho e conteúdo… Com os livros que escrevem, com os artigos que preparam, com os podcasts e vídeos que criam, com os workshops ou aulas onde incluíram meditações, ou apenas breves explicações que fazem, que são luz para mim.

É verdadeiramente maravilhoso quando te permites à abertura de receber, e também de ceder e desapegar.


  • explora estas leituras (clica na legenda de cada livro para abrires a página de apresentação e venda):

Coloco aqui outro exemplo de livro, que é o Sagrado Feminino, da Inês Gaya, pois apesar de ser um livro que aborda muitas áreas, ele inclui meditações verdadeiramente poderosas que podem transformar quem as ouve. Só eu sei o quanto este livro mudou a minha vida.


Fonte: TarnEllisArt

Tal como tenho vindo a dizer, pratica com propósito o que faz mais sentido para ti e sê feliz a fazê-lo. Não deves nem tens nada a provar a ninguém. Dá o teu próprio significado e lógica à meditação e floresce. Desprende-te de tudo o que achas não ser possível. Cria a tua realidade, pois tudo é válido, e a ideia contrária é fruto de criação meramente humana… Há tanto para além do que vemos e sabemos.

Se tiveres sugestões ou comentários, eles são bem-vindos e serão acolhidos.

Obrigada por leres e meditares!

Até breve


1 “meditar”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/meditar

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