No seguimento do raciocínio e da intenção da publicação anterior, hoje trago-vos o conceito de MINIMALISMO.

Com certeza, já deves ter ouvido falar na expressão “menos é mais”, mas o que quer realmente isto dizer? E se realmente é maravilhoso, porquê que ainda não faz sentido para toda a gente?

Para mim, é incrível como praticar o minimalismo ajuda a simplificar e cortar aos poucos com tudo o que seja fonte ou factor intermediário de stress. Desde a decoração da casa, ao nosso guarda roupa, a pessoas na nossa vida, ao nosso estilo de vida em si e consequentemente à nossa mente. Reduzindo, recusando e simplificando, afastamos maior parte do que nos consome tempo e energia e dinheiro, arranjamos espaço para melhor e podemos acalmar corpo e mente.

Já deste por ti a entrar num centro comercial ou numa loja de roupa tipo Zara ou do género em época de saldos? A quantidade de pessoas por todo o lado, as roupas todas desarrumadas de serem mexidas, o barulho de fundo que se faz sentir, entre pessoas quase a berrar para se fazerem ouvir ou a queixarem-se da confusão, aos bebés a chorar parece que em altifalante, e tu lá no meio até sem saberes bem para onde te virar… Consegues imaginar esse cenário caótico na tua cabeça? O quê que isso te faz sentir? Provavelmente agitado e stressado certo? O mesmo se aplica ao teu estilo de vida e aos ambientes e pessoas que te rodeiam. Desde a tua casa estar atulhada de tralha por todo o lado, ao teu armário estar exageradamente cheio e desorganizado, ao lixo que produzes diariamente e nem te apercebes, ao teu emprego exercer em ti uma pressão e uma confusão que não te pertence, aos ambientes que te rodeiam, às pessoas tóxicas que ainda fazes questão de manter na tua vida e consequentemente à tua mente assoberbada…
Nem te apercebes disto pois não? Estás tão em piloto automático e formatado que nem te permites estar atento.

Nem toda a gente se interessa por estas mudanças e há quem pense que não fazem qualquer sentido. Primeiro porque, lá está, foram educados de forma completamente oposta. Segundo, porque o cansaço é tanto e a paciência já tão pouca que, por vezes, estão predispostos ao cepticismo no que toca a quase tudo o que não estão habituados. E a mudança e o desconhecido são assustadores para muita gente e bem mais difíceis de lidar do que parece. Quando se tem tanto entre mãos, num malabarismo de filhos e pressão para os educar com sucesso e proporcionar tudo o que for possível, e contas para pagar e ainda a dose de informação e desastre a ser injectada nos nossos cérebros todos os santos dias, como pode ser fácil? Parece praticamente impossível parar, reduzir e acalmar.

A verdade é que os nossos filhos não nasceram a precisar de tudo o que achamos que eles precisam, ou o que damos porque vemos os outros pais a dar ou a sociedade a mandar. Eles precisam do básico: comida, abrigo, saúde, amor e pouco mais.

Eu sei que parece simplório, crédulo e ingénuo da minha parte falar assim como se fosse tudo assim tão fácil e simples, mas se perceberes e acreditares que o é, estarás de imediato a praticar o minimalismo…começando pela tua maneira de pensar!

Terceiro, o nosso consumismo está, maior parte das vezes, relacionado também com a necessidade de preencher algo em nós… Seja por sentires um vazio que muitas vezes não consegues para explicar, ou para compensar sentimentos negativos com esses breves momentos de prazer que sentes ao fazer compras, como se o ter algo material fosse mudar alguma coisa! Sabes bem que, a longo prazo, não. E começares a ganhar essa consciência é o primeiro passo a dar, sem dúvida. Porque, se pensares bem, a um nível mais profundo, até agora não resultou…os problemas continuam lá, os sentimentos também, o vazio também…

Este conceito passa de consciência, limpeza, purificação e, por vezes, renascimento. De modo à atenção e ao foco se voltarem para o que realmente importa, para o essencial. E a conclusão disso é entenderes que não precisas, de todo, de maior parte do que possuis para ser feliz e daí nasce a verdadeira felicidade e a gratidão. Ou não é paz que todo o mundo procura? Tu, que não vives numa zona de guerra nem tens outros factores incontroláveis a rodear-te, consegues ou não consegues fazer melhor do que tens feito?

Começa com pequenos passos:

  • Como aprender a dizer não sem sentir culpa;
  • Destralhar a tua casa, tentando-te desapegar às coisas (especialmente aquelas que nunca usaste, que já nem te lembravas que estavam lá ou que não trazem nada assim de tão positivo para a tua vida);
  • Evitar fazer compras compulsivas (SIM, aquelas para as quais muitas vezes nem tens dinheiro!) perguntando-te:
    • se realmente precisas desses itens;
    • se já tens opções semelhantes em casa;
    • se conheces alguma amiga que tenha e já não use e esteja disposta a ceder;
    • se for só para eventos únicos como casamentos, em que podes perfeitamente repetir o mesmo vestido porque sabes bem que vais ficar linda na mesma (e nem importa assim tanto se repetes), ou se mais uma vez podes pedir uma peça emprestada;
    • se consegues com carinho transformar aquela peça que não te assenta bem ou tem defeito para algo diferente e melhor;
    • verifica se não consegues mesmo remendar aquele rasgão ou furo e se vale mesmo a pena deitar fora para comprar outro ou se dá para aproveitar;
    • questiona-te se não estarás a sentir vontade de comprar porque apenas o preço está super barato ou para apenas te fazer sentir bem no momento (sabes bem que esse sentimento tende a desaparecer pouco tempo depois porque existem razões por trás para não te sentires bem contigo mesmo!).
  • Experimenta cortar com as pessoas que tens na tua vida que já não te fazem sentido. Seja por serem agressivas e tóxicas ou já não trazerem nada de assim tão positivo à tua vida, ou por apenas já não te identificares. Pode ser difícil no início mas com tempo perceberás que certas escolhas realmente são para o bem e que a tua vida melhorará em algum aspecto;
  • Analisa quais as principais fontes que te provocam ansiedade na tua vida e no teu dia-a-dia e tenta eliminá-las aos poucos, tanto quanto possível;
  • Tira um tempo para analisar a quantidade de lixo que produzes e desperdiças em casa e pensa o que podes fazer para melhorar a esse nível, como reduzir as compras supérfluas ou que contêm demasiado plástico por exemplo, e procura uma alternativa que não implique tanta embalagem (exemplo: evita os sacos de plástico para legumes e fruta ou pão e investe, ou faz em casa, saquinhos de pano com tecidos velhos, e aposta em comprar produtos a granel sempre que possível em vez de embalados!). Parecendo que não, o lixo que produzimos é avassalador, quando nos apercebemos;
  • Etc…

Aconselho-te os livros “Vida Lixo Zero” da Ana Milhazes, pois para além de falar sobre sustentabilidade, explica-te bem este conceito de minimalismo e de dizer não, o “Arrume A Sua Casa, Arrume a Sua Vida” de Marie Kondo, ou ainda a revista “Raízes Mag nº1″. Acrescento ainda pesquisares o trabalho da Cláudia Ganhão no site dela ou no seu perfil do Instagram! Entre outros livros, podcasts, vídeos no YouTube (como o canal do Matt D’Avella) interessantes que existem sobre o tema. Basta pesquisar, aprender e agir!

Obrigada por leres e considerares!

Até breve

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