Considera redescobrir-te. Sim, tu! Mulher!

Sente e celebra o poder que tens aí dentro! Enterra o medo, a vergonha e o julgamento, e revela a força, o amor e a liberdade.

Tens um mundo no teu útero, que deve ser amado e nutrido. Liberta-te, floresce e espalha a tua beleza!

E agora perguntas-te… COMO?

Maior parte de nós desconhecemos o nosso poder. Nem fazemos ideia do que somos e do que somos capazes. Maior parte de nós não sabe como viver em harmonia com o nosso corpo. Somos ensinadas desde novas, ainda que inconscientemente, a sermos máquinas, a sentirmos o menos possível de modo a conseguirmos trabalhar da maneira que a sociedade pretende, e de maneira a levar a vida eficientemente, sem percalços, sem riscos e mais rapidamente.

Mas se pensarmos bem, fará sentido sermos formatados deste modo? Faz sentido vivermos consoante um molde standard se somos todos diferentes? Faz sentido evitarmos a nossa natureza se é ela o que nos prende aqui e nos faz viver? Faz sentido esperarem o mesmo de todos, se funcionamos todos de maneiras distintas, e se temos todos corpos e organismos únicos?

Pergunta-te antes isto. Pergunta-te se vives consciente do que és e em função do que sentes. Irás, provavelmente, aperceber-te que se calhar nem sabes o que é sentir certas coisas.

Se estás pronta para florescer, continua a ler…

Uma mulher empoderada é uma mulher informada. Para evoluires e viveres a tua verdadeira essência, tens de te conhecer e de aprender, sem medo! Como digo na secção SOBRE deste blog, viver com medo de sermos nós mesmos é das piores coisas que podemos sentir. É uma prisão que não faz sentido viver, sendo tão curta a nossa passagem nesta vida. Vale a pena sim, viver inteiro, viver consciente, viver fazendo e sendo o nosso melhor, deixando uma marca boa por onde passamos.

Neste artigo trago-te um impulso. Um primeiro passo para começares ou retomares a tua jornada, tal como eu tenho vindo a fazer.

Entre muitas características que nos distinguem dos homens, nós possuímos um útero. Útero esse que é simplesmente brilhante, cíclico, único e gerador de vida… Ele é um mundo! O nosso mundo e o nosso centro. É dele que provém a nossa fertilidade.

Fertilidade significa ser-se fértil, tanto no sentido da capacidade de gerar vida como um filho, como no sentido de abundância, opulência e riqueza. É exactamente isso que somos! Muito mais que máquinas de reprodução… Somos abundantes, ricas e espalhamos a nossa beleza com facilidade, se assim o quisermos! Infelizmente na sociedade que vivemos, cabe-nos a nós fazer voltar e fazer crescer essa beleza que sempre nos ensinaram que devia ser reprimida. Se não vivermos com todo o nosso potencial, seremos apenas seres presos em jaulas, com energia acumulada que na verdade merece, e deve viver em liberdade.

Então, transbordemos!

Ninguém te pode empoderar. Apenas tu te podes libertar a ti mesma, percebendo e assimilando que és digna e merecedora de seres tu e de viveres conforme desejas!

A minha história

Sempre soube que tinha algo dentro de mim que eu ainda não conhecia e que eu ainda não dominava. Uma magia que acontecia naturalmente… À qual eu nunca prestei atenção e a qual sempre desvalorizei.
Mas a verdade vem sempre ao de cima.

Já nem sei como é que aconteceu comigo… Talvez com o tomar consciência do meu corpo ao longo do tempo com a minha alimentação, e com o despertar da curiosidade para a aromaterapia, a meditação, Yoga, entre outros… Está tudo interligado!
À medida que descubro o meu caminho e vou dando passos, vão-me aparecendo pessoas e sinais que me fazem todo o sentido e dos quais eu preciso… Como se o universo soubesse o que por no meu caminho.
Já tinha lido muito sobre a fertilidade da mulher mas não fazia a mínima ideia de tudo o que ainda estava por trás e de toda a verdade que me tinha sido omitida, como acontece com quase todas as mulheres. Foi depois de quase 7 meses sem redes sociais, há precisamente um ano, que criei um perfil de Instagram para seguir páginas e pessoas que me inspirassem e ensinassem! No próprio dia que criei e comecei a seguir a Daniela Gandra, (uma mulher maravilhosa que já conhecia há algum tempo mas nunca da maneira que conheço agora), que vi um evento de um círculo de mulheres que ela organizou. Não sabia o que era um círculo de mulheres mas senti-me de imediato atraída só pela expressão…Porque nós, seres, mas principalmente mulheres, somos feitas para vivermos unidas e somos tão fortes e poderosas assim que nem sabemos. Apenas sentimos, quando nos permitimos a tal!

Foi então aí, nesse encontro de mulheres, que conheci a Inês Almeida, (enfermeira, estudante a terminar o curso para ser parteira, autora do projecto Cosmic Feminine, instrutora de perceção de fertilidade e educadora de fertilidade consciente), que me abriu verdadeiramente as portas para a minha liberdade e para a minha saúde. Com elas, conheci mais mulheres que procuravam todas a mesma coisa… Ser mais mulheres! Elas traziam lágrimas, traziam dor, traziam raízes, traziam conhecimento e sabedoria, e cada uma a sua verdade crua e nua. E o Universo sabia mesmo o que e quem pôr no meu caminho para eu crescer, evoluir e florescer. Aí conheci a Joana, uma mulher incrível, também parteira, que depois vim a saber que trabalhava com a minha mãe, que hoje é minha amiga do coração, como que uma irmã de alma. Como digo, a energia não mente e o amor é a energia mais forte que existe. Disso tenho eu a certeza.

Há cerca de quase um ano atrás, tomei então a decisão de ser mais eu e de conhecer o meu corpo por de trás de todos os sinais e alertas que ele me dá. Parei com a contracepção hormonal, mesmo contra as indicações e regras que me davam, por acharem ser o melhor para mim. Primeiro porque tomava hormonas artificiais há quase 10 anos seguidos, sem noção do que me faziam, pois foram-me impingidas na adolescência sem explicação nem informação para que eu, pelo menos, soubesse o efeito que teriam no meu corpo. Sendo tão nova, nem contestei, crendo que a ginecologista e a minha mãe soubessem o que era melhor para mim, ainda que sem o meu consentimento propriamente.

Ao parar, o que aconteceu foi que as dores incapacitantes e hemorragias abundantes voltaram, tal como quando tinha 13 anos. Desesperada e sem conseguir sequer levantar do chão, com dor extrema, náuseas, vómitos e desmaios, tive de faltar ao trabalho e encher-me de fármacos. Levei na cabeça da minha mãe e da médica. Cheia de medo de sentir aquilo outra vez, e com os comentários e sermões a pesar-me na consciência, voltei à contracepção hormonal. Senti-me presa a algo que eu não queria e senti-me impotente. Senti-me triste porque, no fundo, para além daquele medo, sabia que o meu corpo não estava bem e que estava era a dar-me sinais de que algo tem de mudar para melhorar. E não era a tomar hormonas sintéticas que isso ia acontecer. Elas não resolvem nem corrigem absolutamente nada.

Hoje, apesar de ainda continuar a usar contracepção, faço-o contra a minha verdadeira vontade, mas pelo menos sei que foi uma opção informada e consciente que tomei. No entanto, isso está prestes a mudar novamente. Não vou desistir! E por isso é que te escrevo e te transmito esta mensagem… Se o sentimos, devemos seguir o nosso instinto e a nossa intuição, que também é das mais poderosas virtudes que temos! O sexto sentido! A minha intuição diz-me que algo não está bem. Diz-me para lutar, para ver mais médicos, para estar mais atenta ao meu corpo e para melhorar o meu estilo de vida. A minha intuição diz-me para não desistir de ser livre. E eu agora sou boa a seguir o que ela me diz.
Sabias que consegues fazer tudo, mas mesmo tudo, só com o que o teu corpo te diz? Sabias que tens opções? Mais do que imaginas? Sabias que podes ser mais saudável e não ter medo? Sabias que há um mundo no teu útero? Descobre! Aprende! E toma as tuas próprias decisões!

Juntei-me à Inês Almeida, para responder a algumas questões que considero que muitas mulheres ainda têm. Eis algumas respostas que te poderão servir de guia e ferramenta para voltares a ti com todo o poder.

Entrevista com Cosmic Feminine

Hearth: Então como é que surgiu o projecto Cosmic Feminine? E de onde é que veio essa intenção de querer saber mais sobre o corpo feminino, e vontade de espalhar essa mensagem e informação?
Inês Almeida: surgiu muito naturalmente porque, como sabes, sou enfermeira mas além disso, sempre tive muito interesse. Era muito boa aluna a Biologia, adorava Anatomia… Ajudou o facto da minha mãe ter-me explicado o ciclo menstrual quando tive a minha menarca (primeira menstruação).
Pessoalmente, comecei a tomar a pilula aos 15 anos e tive interesse em perceber o efeito que ela tinha no meu corpo. Decidi continuar com a toma, pois não tinha conhecimento de outras opções. Parti do principio que toda a gente sabia os efeitos da contracepção hormonal ou tinha interesse em saber também, mas verifiquei que não era assim. Entretanto tornei-me vegan em 2012. Isto para dizer que sempre preferi uma abordagem mais natural e nunca gostei de tomar medicação. Entretanto deixei a pilula e passei apenas a usar preservativo. Em 2018 comecei a namorar com o meu actual namorado, e foi nessa altura que li o ebook da Barbara Yu Belo e achei muito interessante. Entendi que não há muita informação disponível e comecei a explorar e a ler muito enquanto morava no Reino Unido. Entretanto criei uma página de Instagram apenas com o objectivo de falar da minha experiência. Aconteceu que os seguidores gostavam da forma como eu comunicava e começaram a pedir conselhos, apesar de eu na altura não ser uma referência na área. Tomei então a decisão de tirar formações nesta área para ajudar as pessoas. Foi uma caminhada natural por me aperceber da necessidade que havia.

H: Em que consiste a percepção da fertilidade?
I.A: O método de percepção da fertilidade consiste na observação dos sinais fertéis da mulher. Nós não estamos fertéis em todos os dias do ciclo e isso é algo que muitas mulheres parecem não saber. Conhecendo então os sinais do nosso corpo, conseguimos prevenir ou alcançar uma gravidez naturalmente com maior facilidade. O nosso corpo dá-nos todos os sinais.

H: Qual é que é o papel de uma instrutora de percepção de fertilidade e educadora de fertilidade consciente, e como pode ajudar uma mulher?
I.A: É alguém formado num ou mais métodos naturais (pois há mais do que um) por uma entidade. O que eu ensino é o FAM (Fertility Awareness Method). O meu papel é acompanhar, como uma guia, e ajudar a compreender e ler os sinais do corpo feminino e a maneira como nos sentimos em cada fase do ciclo (eu também faço esse trabalho). Como sou profissional de saúde, também ajudo a entender como está a saúde da pessoa e dou as ferramentas e opções que há disponíveis às mulheres, para que elas possam tomar uma decisão mais informada e consciente. Eu, pessoalmente, tenho um trabalho e uma prestação muito única devido ao meu background e por também estar agora a terminar o curso de parteira. Trabalho de forma multidisciplinar, com uma equipa, com nutricionistas, fisioterapeutas pélvicos, medicina tradicional chinesa, etc, para os quais reencaminho as pessoas, mediante as situações e condições com que me deparo, para poder dar um melhor apoio.

H: Parece haver ainda bastante confusão e falta de informação concreta e consistente, principalmente desde idades tenras. Porque achas que não existe alerta e consciência do ciclo menstrual da mulher e fertilidade natural desde que as meninas são novas (faixa etária da menarca)?
I.A: Para começar, creio que ainda não há informação suficiente. Mesmo em Portugal, não há muita gente a falar sobre isto. Mesmo em formações de saúde, como para médicos ginecologistas, não se aprende estes métodos. Não se ensina que podem ser métodos tão eficazes como a pilula, se usados e aprendidos correctamente e com empenho. Parece também que a medicina convencional, hoje em dia, se apoia demasiado e desmedidamente na indústria farmacêutica. O sistema está feito de forma a nem dar tempo aos profissionais de saúde de avaliarem e conhecerem as pessoas e seus organismos como um todo, e torna-se impossível ajudar o paciente duma forma mais abrangente, com a falta de tempo e quantidade de consultas que têm de dar. A pilula torna-se a forma mais fácil e acessível de prevenir gravidezes não planeadas e ainda se crê muito que não necessitamos de mais nada e que fica assunto arrumado. Devíamos, no entanto, ser informados principalmente acerca dos efeitos daquilo que nos estão a prescrever e fazer tomar, para tomarmos as nossas próprias decisões, ainda que, em idades tenras. São necessárias mais instrutoras de percepção de fertilidade. Quanto mais tivermos, mais facilitado fica o trabalho e mais conhecimento chega ao público.
Os métodos naturais, como a percepcção de fertilidade, têm má fama, pois as mulheres aventuram-se a experimentar, criando espectativas, largando a contracepção hormonal, ainda que sem ajuda e sem conhecimento e ferramentas para tal ser bem sucedido. Correndo mal e gerando gravidezes não planeadas, o metódo chega a nem ser quase falado na escola por se achar ser um método pouco eficaz. Nas escolas, os professores nem sempre abordam o ciclo menstrual duma forma amorosa e natural e torna-se uma matéria que ninguém se sente à vontade para discutir, principalmente em idades tão jovens, em que se cria uma ideia de que é algo nojento e tabu. Esta ideia tem de mudar!

H: Quais as principais, e mais comuns, razões ou patologias que levam uma mulher a procurar-te e a trabalhar contigo?
I.A: Para além de patologias diversas como endometriose, síndrome de ovários poliquisticos, dismenorreia, etc, as mulheres têm despertado para os efeitos pesados dos contraceptivos. Começam a querer empoderar-se e saber mais sobre o corpo e como quão importante é menstruar, e ter uma fertilidade saudável. A ausência de menstruação ou os problemas que com ela estão relacionados, trazem stress e outras consequências ao corpo e à mente. Menstruar é bom sinal.

H: Em que consiste e como se caracteriza/divide o ciclo menstrual?
I.A: O ciclo divide-se em duas principais fases: a fase folicular e a fase lútea. Nelas estão incluídas as fases da menstruação, pré-ovulação, ovulação e pré-menstruação.
Nós não somos sempre estáticas e podemos variar consoante diversos factores.
O ciclo começa na menstruação, que é a altura em que sangramos. As hormonas estão baixas a este ponto e é uma altura de recolhimento. Segue-se a fase pré-ovulatória, em que a mulher começa a produzir muco cervical fértil à medida que os dias vão passando. É uma altura em que a mulher tem tendência a sentir-se mais extrovertida. Segue-se a ovulação, que ocorre geralmente num determinado dia, mas que os níveis de estrogénio duram algum tempo. Nesta altura estamos no pico da fertilidade. Após se dar a ovulação, entramos na fase pré-menstrual. Durante essa fase, o endométrio prepara-se, ou para ajudar na gravidez, ou para se desfazer para a menstruação. Se a gravidez não ocorre, deixamos de produzir estrogênio e progesterona. A diminuição das hormonas, juntamente com os efeitos da prostaglandina, fazem com que os vasos sanguíneos se contraiam e o tecido do endométrio se desfaça.
Importa também informar que todas as mulheres são diferentes e têm ciclos diferentes.
O meu ebook “Sou Como a Lua” pode ajudar a aprender, a conhecer e a conectar com o ciclo menstrual.

Ilustração que indica como se dividem as diferentes fases do ciclo menstrual. Cortesia Cosmic Feminine

H: Qual é a duração total ideal de um ciclo?
I.A: Um ciclo menstrual saudável deve durar entre 25 a 36 dias. Sabendo que a fase folicular é variável e a fase lútea é geralmente fixa, durando em média de 12 a 14 dias, podendo durar entre 9 a 18. Menos do que isso pode indicar deficiência de progesterona e mais do que isso pode indicar que a mulher está grávida.

H: Durante quantos dias é considerado normal ter a menstruação?
I.A: A menstruação deve durar entre 3 a 7 dias de preferência ou pelo menos um dia de fluxo moderado ou abundante. É importante pois a menstruação é um sinal de saúde. É um biomarcador que nos indica se estamos saudáveis ou a ovular e se as nossas hormonas do ciclo anterior estiveram equilibradas.

H: Há idades ideais para aparecer a menarca (primeira menstruação) ou existem idades consideradas precoces ou tardias?
I.A: Este é um tema polémico. Crê-se que as mulheres estão a menstruar cada vez mais cedo e isso pode dever-se a disruptores endócrinos.
Menarcas tardias podem acontecer em meninas que pratiquem muito desporto, possuam um estilo de vida pobre ou que não se alimentem devidamente. Pode-se considerar tardia a idade entre os 17 e 18 anos.
Tenho disponível o episódio 20 do meu podcast, “Como os nossos comportamentos influenciam as nossas hormonas com Ana Garcez” , em que abordo este assunto.

H: Ter fortes dores menstruais fortes é normal?
I.A: Não. As dores menstruais podem indicar problemas de saúde. A dor é um sinal de alerta do corpo que existe algum desequilíbrio. Não devemos assumir que é tudo normal e natural, como estamos habituados. O nosso estilo de vida e os nossos hábitos ditam a nossa saúde. Por vezes, melhorar a nossa relação com o nosso ciclo, influencia a sua qualidade.

H: É normal ter períodos irregulares?
I.A: Não. Como explicado anteriormente um ciclo saudável deve ter entre 25 a 36 dias. Se variar mais do que 8 dias de ciclo para ciclo, não é um bom sinal. É sinal de desequilíbrio e deve ser avaliado.

H: Para proteção menstrual conhecemos os pensos e tampões descartáveis, mas temos mais opções. Quais?
I.A: Hoje em dia já temos bastantes opções, principalmente porque temos acordado para uma consciência ambiental e como sabemos as protecções descartáveis têm um impacto enorme no ambiente. Existem alterativas como o copo menstrual, os pensos reutilizáveis, as cuecas menstruais capazes de suportar o sangramento, ou ainda pensos descartáveis feitos de materiais mais sustentáveis… Todos eles trazem benefícios para o planeta, mas também para a nossa saúde e para a carteira.

H: A menstruação ocorrer significa que ovulamos?
I.A: Podemos ter um sangramento e não ter ovulado. Como é o caso na pausa aquando a toma da pilula. O sangramento ocorre apesar de não ter havido ovulação. Neste caso não é a menstruação, mas sim sangramento pela privação de hormonas. É importante conhecermos a nossa menstruação para a sabermos identificar. Por norma quando ovulamos, temos a menstruação.

O que a cor da menstruação significa. Fonte: Demi | Bright Girl Health

H: O que é o spotting?
I.A: O spotting é um sangramento mais ligeiro com cor rosa ou acastanhada que pode surgir a meio do ciclo. Às vezes ocorre quando acontece a implantação do óvulo e a mulher está grávida. Pode ocorrer também na fase da pré-menstruação.

H: Quais os cuidados que devemos ter em conta ao escolher um método contraceptivo?
I.A: É importante ter o conhecimento. Devemos informar-nos sobre os prós e contras e os possíveis efeitos secundários, dos vários métodos que existem, e mediante isso tomar uma decisão baseada nas nossas preferências, requisitos e estilo de vida.

H: És contra os métodos contraceptivos hormonais (pílula, etc…)?
I.A: Não propriamente. A pilula é um método bastante eficaz e veio trazer emancipação e empoderamento à mulher, criando oportunidade para se viver mais confortável e livremente. E está tudo bem. Não devemos julgar. No entanto, hoje em dia já cria a sensação contrária. Cria sensação de prisão e de intoxicação. Devemos usar o que considerarmos melhor para nós, mas ter o poder de escolher. Deve ser uma decisão consciente.

H: Quais os principais efeitos que a pílula (e outros métodos hormonais) têm no nosso corpo?
I.A: Basta olharmos para a bula do método que estamos a usar. Os efeitos estão descritos. Maior parte das vezes não são alertados pelos profissionais de saúde quando recomendados, mas eles existem. Desde baixa líbido, enxaquecas, palpitações, depressão, ansiedade, embolias pulmonares, cancro de colo do útero, sensação de aumento ou diminuição dos órgãos genitais, perturbações de humor, insónias, aumento de peso, infecções por HPV, candidíase, entre outros…
Nós somos as nossas hormonas e por isso, sendo a pilula (ou outro método hormonal), uma carga de hormonas, é impossível ela não influenciar a nossa vida.

H: Quais são os métodos contraceptivos não hormonais que existem?
I.A: Existe o preservativo clássico, que também é o único método que protege de DST’s; existe o preservativo feminino; o DIU de cobre, que é mais invasivo por causar nada mais do que uma inflamação no útero para impedir a nidação; o diafragma, que deve ser usado juntamente com espermicida que pode causar infeções a nível vaginal; existe a vasectomia e a laqueação das trompas, que são métodos cirúrgicos e não são reversíveis; existe o método do coito interrompido que consiste na retirada do pénis da vagina antes da ejaculação, que é altamente falível…

H: Quais são os indicadores que nos permitem perceber a nossa fertilidade?
I.A: Os principais indicadores que podemos aprender a interpretar são a temperatura basal, a avaliação do muco cervical, a posição do cérvix, e os sintomas que sentimos tanto físicos como emocionais durante todo o ciclo para poder distinguir as diferentes fases… Existe também a possibilidade de ser efectuado o teste de LH (ovulação)…

H: Qual a diferença entre um termómetro normal e um termómetro basal?
I.A: A diferença do termómetro basal para o termómetro convencional é que o termómetro basal indica a temperatura com duas casas decimais. A diferença de temperatura que se verifica no nosso corpo é baixa, pelo que esta precisão é importante.

H: Como medir a temperatura basal e quais os cuidados a ter?
I.A: Deve ser avaliada de preferência de manhã, mais ou menos à mesma hora. Devemos dormir um sono descansado de pelo menos 3 a 5 horas para os valores não se alterarem, e medir na boca, debaixo da língua ou na vagina.

H: O que é o muco cervical? E para que serve?
I.A: É um indicador de fertilidade que se evidencia na fase da ovulação. É estimulado tanto pelo estrogénio, que indica que a mulher está fértil, e mostra-se presente e mais elástico ou aquoso, fazendo com que os espermatozoides sobrevivam até 5 dias, como pela progesterona, que se traduz por muco cervical infértil ou ausente. Ele é categorizado de diferentes maneiras para poder ser distinguido.
É importante avaliar várias vezes ao dia.
É necessária uma aprendizagem com uma instrutora para poder ser avaliado com sucesso.

H: Existem inúmeras Apps que prevêem e monitorizam o ciclo de uma mulher. São fiáveis? Quais aconselhas?
I.A: Quando monitorizamos o nosso ciclo, necessitamos de uma referência visual, e ter como apontar os indicadores e sensações ao longo do nosso ciclo, para poder visualizar, como num gráfico, as oscilações que nos permitem interpretar a janela fértil. As aplicações vieram de facto facilitar imenso, para não termos de apontar as coisas à mão mas é preciso ter cuidado com as app’s que se escolhe usar. As que aconselho são a Kindara e a ReadYourBody. Todas as outras eu não recomendo. Aplicações que prevêem o ciclo são altamente desaconselhadas pois não é possível prever com precisão o ciclo de uma mulher. O nosso corpo muda consoante diversos factores e isso é normal. Não existe tecnologia que saiba como nos vamos sentir ou como o nosso corpo se vai comportar no futuro.
Porque temos maior tendência a confiar em algo externo a nós do que em confiar no nosso próprio corpo?

H: Existe algum feedback negativo quanto à abordagem dos médicos ginecologistas actuais no geral (várias mulheres dizem que sentem que impingem, não informam devidamente, não respeitam a opinião e valores da paciente e por vezes até assediam…). Quais as tuas referências de ginecologistas “do bem” em Portugal?
I.A: Sou apologista que todos os ginecologistas têm treino para nos ajudar e esclarecer as nossas questões. Acho que deve partir de nós ter consciência do nosso corpo e educarmo-nos, e como que “bater o pé” para nos fazermos ouvir e respeitar. No entanto, há médicos mais despertos que outros para a fertilidade natural e que querem efectivamente ajudar as mulheres com uma abordagem mais orgânica.
Não importa os médicos entenderem e explicarem o método da percepção de fertilidade (FAM) propriamente, porque para isso estamos cá nós, mas devem sim avaliar a nossa saúde com testes e despistes, respeitar-nos e guiar-nos.
Podem consultar a minha lista de referências aqui.

(Para além da lista da Inês, aconselho a lista vasta da Catarina Maia d’O Meu Útero . Clica aqui para aceder.)

H: Qual consideras ser o papel do homem na vida de uma mulher quanto a este tema? (seja pai, namorado, amigo, companheiro, homem na sociedade, …)
I.A: Toda a gente deve ter consciência disto… Que o ciclo menstrual é normal, é natural e é essencial. Se tivermos todos esta mentalidade, as coisas mudam. Deverá partir das próprias mulheres abraçar o seu ciclo e corpo com maior naturalidade, para que o resto do mundo possa, consequentemente, acolher este fenómeno. Nós mulheres devemos dar o exemplo sendo o exemplo. É importante falar disto com amor e sem vergonha ou tabu, e ajudar outras mulheres ou homens a compreender. Não faz sentido esconder algo que é básico da vida. Se formos mulheres empoderadas, seguras do nosso corpo e com conhecimento, seremos recebidas como tal. Se por outro lado, optarmos por ter nojo, vergonha e sofrer de dores e abafar os sinais do organismo, ninguém à nossa volta irá receber e interpretar essa informação doutra forma. E isso será passado aos nossos filhos também.
É um movimento. Se não tivesse havido uma mulher a querer votar, hoje em dia as mulheres não votavam.
Tenho disponível o episódio 21 do meu podcast, “Integrar parceirxs na nossa natureza cíclica com Carolina Granja” , em que abordo este assunto.


Para além destas, existe a questão da alimentação como factor influenciador do nosso ciclo e das nossas hormonas.

Sabemos que a alimentação é o nosso combustível. Sabemos também, que se nos alimentarmos mal, ou adoptarmos um estilo de vida com muitos excessos, seja fast food, vícios ou stress, não nos iremos sentir tão bem e a nossa saúde sairá prejudicada.

A alimentação tem influência em tudo no nosso corpo e mente e, como tal, inflencia o nosso ciclo menstrual.

Fonte: desconhecida.

Assim sendo, existem cuidados e estratégias que podemos e devemos escolher ter, nas diferentes fases.

Alguns exemplos que a Dr.ª Carla Fernandes (nutricionista, coach e autora do projecto Nutrifeminina) explica, num dos seus muitos workshops, “Como Cuidar do Ciclo Com a Alimentação”, que eu assisti, são:
Aquando, por exemplo, a menstruação, como é uma altura em que perdemos sangue, devemos ingerir alimentos mais ricos em ferro como folhas verdes, beterraba, rabanete e hidratos de carbono completos… No geral, também é uma altura em que a mulher sente mal estar ou a energia mais em baixo. Por isso, exige conforto, logo, comida reconfortante e quente, e bebidas como chás.
Já na fase lútea, após a ovulação e na pré-menstruação, o nosso apetite aumenta no geral, e devemos respeitar, aumentando um pouco a quantidade de comida e calorias, mas fazendo dela o mais nutritiva possível. Incluindo, por exemplo, fontes de ómega 3 como sementes e algas… Devemos também incluir chás, sopas e raízes como gengibre, e evitar o café e estimulantes, visto estes desrespeitarem a qualidade do sono e consequentemente alterarem a função das nossas hormonas.

Aconselho a acompanharem o trabalho da Carla Fernandes bem como a assistirem aos workshops que tem disponíveis aqui pois são muito úteis e esclarecedores.

A saúde reprodutiva (embora estejamos cá para nos reproduzirmos) não é imprescindível à nossa sobrevivência. Então, se não estamos a nutrir-nos o suficiente, o nosso cérebro poderá suprimir o nosso ciclo menstrual e fertilidade, pois poderão ser colocadas em causa as condições e o ambiente no corpo à reprodução

Fonte: Carla Fernandes, nutricionista, coach e autora do projecto Nutrifeminina/Nutrição Feminina.

O livro que melhor te poderá apoiar nesta descoberta é o magnífico Taking Charge of Your Fertility de Tony Weschler. É considerado dos melhores livros sobre saúde reprodutiva, controlo natural da prevenção da gravidez, bem como o seu alcance. Inclui explicação muito pormenorizada dos sintomas e sinais do nosso corpo e do ciclo menstrual, quadros e gráficos exemplares de indicadores de fertilidade, ferramentas para apoio à fertilidade, os mais recentes avanços médicos em tecnologias de reprodução assistida (ART), explicação aprofundada da saúde ginecológica e sexual feminina, elucidação de condições recorrentes como a endometriose e PCOS (Síndrome de Ovários Poliquísticos), maneiras naturais de equilibrar as hormonas e preservação da fertilidade futura, abordagem sobre abortos espontâneos, causas de sangramento incomum, etc…

Taking Charge of Your Fertility ,Tony Weschler

Outras mulheres experientes no tema da fertilidade, saúde feminina e empoderamento feminino, com as quais te podes identificar, e às quais podes recorrer são também: Bárbara Yü Belo, Margarida Roque Pereira, Fertilidade Consciente, Patrícia Lemos, Filipa Teles, Wabi-sabiMulher, Tânia Graça, Diana Patrício, Enfermeira Carmen Ferreira, Vera Belchior, entre outras…

A prevenção e a atenção são os teus maiores trunfos

Nos dias de hoje são cada vez mais as doenças e condições associadas à saúde da reprodução feminina. Desde amenorreia (ausência de menstruação), dismenorreia (dor menstrual extrema), menorragia (sangramento muito abundante), ciclos irregulares, ciclos anovulatórios, TPM, baixa líbido, endometriose, Síndrome de Ovários Poliquísticos, etc…
Para além de optares por um estilo de vida saudável que inclua uma alimentação de base vegetal, sem vícios, com o menor nível de stress, nutrindo o melhor possível a mente, fazendo mais do que te faz feliz, etc, deves estar atento aos sinais e alertas do corpo e, caso sintas que deves, procurar ajuda! Procurar ajuda até seres ouvido e até sentires que estás num bom caminho para o teu bem-estar.

Tu és o teu principal e mais importante aliado e amigo. Tens o poder de conhecer o teu corpo melhor do que ninguém porque ele é teu, e é nele que habitas!


Obrigada por leres e te empoderares!

Até breve

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